Saiu da primeira sessão mais leve. As costas respondem melhor, o pescoço roda sem aquele aperto, e por um instante parece que está tudo resolvido. E logo a seguir chega a pergunta prática, aquela que quase ninguém faz alto: muito bem, e agora? Quantas destas vou precisar? Isto vai ser um poço sem fundo?
É uma pergunta justa, e vou responder-lhe com franqueza: sem números atirados ao ar e sem lhe empurrar pacotes que não precisa. Porque a verdade é simples. A massagem terapêutica não é para sempre. Tem princípio, meio e, na maioria dos casos, um fim. Vou explicar-lhe como se desenha um plano a sério, com que frequência faz sentido vir, e porque é que mais sessões nem sempre é melhor.
Afinal, quantas sessões vou precisar?
Depende de há quanto tempo a dor existe, mas há intervalos realistas: para uma tensão muscular recente costumam bastar 3 a 5 sessões, e para uma dor crónica, instalada há meses ou anos, o habitual são 8 a 10.
A diferença não é o tipo de pessoa, é o tempo que o corpo levou a chegar ali. Uma contratura que apareceu na semana passada solta-se depressa. Um padrão muscular que se foi montando ao longo de dois anos de secretária precisa de mais tempo para desfazer, simplesmente porque o corpo o aprendeu bem.
Em oito anos a tratar costas, aprendi a não atirar números na primeira conversa. Na primeira sessão, depois de o avaliar, dou-lhe uma estimativa real, do género “o seu caso parece de 4 a 6”, e não “compre já 10”. Se eu lhe disser um número antes de lhe ver as costas, está a comprar um palpite, não um plano.
“Tenho pena de gastar dinheiro comigo.” E se isto não for um gasto?
Cuidar das costas que o carregam o dia inteiro não é uma despesa. É manutenção daquilo que lhe permite trabalhar, dormir e viver sem dor.
Muita gente trava exatamente aqui, e quase sempre são as pessoas que tratam de tudo e de todos antes de si. Acha caro gastar consigo, mas não pensa duas vezes em levar o carro à oficina ou trocar o telemóvel quando começam a falhar. O corpo é o único que não se troca. É nele que faz tudo o resto.
E digo-lhe uma coisa que talvez não espere de quem vive disto: a minha intenção não é vender-lhe o máximo de sessões, é o contrário. O meu trabalho é levá-lo ao ponto em que já não precisa de mim com frequência. Quando alguém me pergunta “preciso mesmo de tantas?”, a resposta honesta é, muitas vezes, “não, vamos começar com menos e ver como responde”. Quem o quer prender em pacotes intermináveis não está a tratar, está a vender.
Com que frequência devo ir? Todos os dias? Dia sim, dia não?
Na fase mais aguda, duas vezes por semana costuma ser o ritmo certo. Todos os dias não acelera nada, e pode até atrapalhar.
Há uma ideia comum de que é preciso ir muitas vezes seguidas “para o corpo não arrefecer”. Percebo a intuição, e ela vem de um bom sítio: quer resolver isto a sério. Mas o músculo não funciona assim. Depois de um trabalho profundo, o tecido precisa de uns dias para responder e assentar, tal como um músculo precisa de descanso entre treinos. Os efeitos mecânicos de uma boa sessão prolongam-se por semanas, não por horas. Por isso o espaço entre sessões é de propósito, não é abandono.
| Fase | Frequência | O que se trabalha |
|---|---|---|
| Aguda (1.ª a 3.ª semana) | 2x por semana | Tirar a dor e o espasmo |
| Subaguda (4.ª a 8.ª semana) | 1x por semana | Trabalho mais profundo, postura |
| Manutenção (opcional) | 1x por mês | Não deixar a dor voltar |
Este quadro é um ponto de partida, não uma receita fixa. O seu ritmo definimo-lo depois de ver como as suas costas reagem às primeiras sessões.
A mesma massagem para toda a gente? Não.
O número e o tipo de sessões mudam conforme o problema, porque uma dor lombar de secretária e a sobrecarga de quem corre 40 km por semana não se tratam da mesma maneira.
Para tensão e dor nas costas, no pescoço ou na zona lombar, o caminho costuma ser a massagem terapêutica de costas. Quando o corpo está carregado de várias zonas ao mesmo tempo, faz mais sentido uma abordagem corporal mais completa. Para quem treina e quer recuperar ou prevenir lesões, entra a massagem desportiva. E se o problema é mais de circulação, pernas pesadas ou retenção de líquidos, a drenagem linfática é outra ferramenta. Não é tudo “uma massagem”. É escolher a técnica certa para o que a avaliação mostrou.
É por isto que insisto tanto na avaliação logo à entrada. Sem ela, estaria a aplicar a mesma receita a problemas diferentes, que é exatamente o que faz uma pessoa andar meses sem resultado. Se quiser ver como decorre esse primeiro passo, está explicado aqui: como decorre uma sessão de massagem terapêutica.
O corpo também tem direito a manutenção
Tratar as costas não é um luxo nem um mimo. É dar ao corpo a mesma atenção que dá a tudo o resto que é importante na sua vida.
Pense nisto como umas pequenas férias para o corpo, mas não no sentido de spa e velas. No sentido de manutenção: o sítio onde descarrega a tensão acumulada e volta a funcionar como deve. Se trabalha muito, é o seu corpo que aguenta a carga toda, os dias longos, as viagens, as noites curtas. Cuidar dele a sério, com cabeça, é das decisões mais sensatas que pode tomar pela sua saúde. Não é gastar consigo. É manter de pé aquilo que o leva onde quer chegar.
E para que não fique só na minha palavra: o American College of Physicians, a maior associação de medicina interna dos Estados Unidos, recomenda numa norma de 2017 (publicada na Annals of Internal Medicine) que a dor nas costas comum se trate primeiro com abordagens sem medicamentos, e coloca a massagem entre as primeiras a experimentar, ao lado do calor, da acupuntura e da manipulação. Ou seja, escolher a massagem antes de saltar logo para os comprimidos não é um capricho: é o ponto de partida que a própria evidência recomenda.
E como é que eu sei que já chega?
Sabe porque eu lhe digo. Quando a dor estabiliza e as costas se aguentam sozinhas, passamos a uma manutenção espaçada ou paramos de vez.
Não há aqui ninguém a empurrá-lo para sessões eternas. Quando chegar ao ponto em que está bem, vai ouvir isso de mim com a mesma franqueza com que lhe digo, no início, quantas vai precisar. E se em algum momento eu perceber que o seu caso não é das minhas mãos, que há um sinal que pede médico, como dor que irradia com força para a perna, perda de força ou formigueiro persistente, digo-lho na hora e encaminho. A massagem alivia muito e trata o padrão muscular, mas não substitui uma consulta médica quando ela é precisa.
Pronto para saber, em concreto, quantas o seu caso pede?
Reconhece-se nesta dúvida? O passo mais simples é vir uma vez e ver. A primeira sessão na Fisalis, no centro de Leiria, fica em 30€ e inclui a avaliação completa, a massagem feita à medida, o vídeo de exercícios e o acompanhamento. No fim dela, sai não só com as costas mais leves, mas com uma estimativa real de quantas sessões o seu caso pede. Sem pacotes à força.
Recebemos pessoas de Leiria e de toda a Grande Leiria, de Batalha a Pombal e às Caldas da Rainha.
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Perguntas frequentes
Quantas sessões de massagem são precisas para a dor crónica nas costas?
Para uma dor instalada há meses ou anos, o habitual são 8 a 10 sessões. Para uma tensão recente, 3 a 5 costumam chegar. A estimativa concreta é dada na primeira sessão, depois da avaliação.
Tenho de fazer massagem todas as semanas para sempre?
Não. Na fase aguda vem mais vezes, depois espaça-se, e a manutenção mensal é opcional. A massagem terapêutica tem um fim previsto, não é um compromisso eterno.
Posso ir todos os dias para ficar bom mais depressa?
Não acelera, e pode sobrecarregar o tecido. Depois de um trabalho profundo, o músculo precisa de dias para responder. Duas vezes por semana na fase aguda é o ritmo mais eficaz.
Que tipo de massagem é que eu preciso?
Depende do problema: terapêutica de costas para tensão nas costas e pescoço, abordagem corporal para sobrecarga geral, desportiva para quem treina, drenagem para retenção de líquidos. Definimos isso na avaliação.
A massagem cura a dor nas costas?
Não promete cura. Trata o padrão muscular que causa a dor e reduz a sua frequência e intensidade na maioria dos casos. Quando há sinais que pedem médico, encaminhamos.
Quanto custa começar?
A primeira sessão fica em 30€ e já inclui a avaliação completa, a massagem, o vídeo de exercícios e o acompanhamento dois a três dias depois.
Conteúdo da responsabilidade de Dmytro Chervenyak, Mestre em Fisioterapia (grau reconhecido pela DGES Portugal), com mais de 8 anos de prática clínica. Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento médico individualizado. Em caso de sintomas persistentes, consulte um médico ou terapeuta qualificado.
Fontes: American College of Physicians — Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain (Qaseem et al., Annals of Internal Medicine, 2017); base clínica Rehab Pro (2025); Physio-pedia (Low Back Pain; Trigger Points).

