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Dor nas Costas

Massagem para Dor Crónica nas Costas Dá Resultado? A Resposta Honesta

· 10 min de leitura · Dmytro Chervenyak Dmytro Chervenyak
Resultado da massagem terapêutica na dor crónica nas costas, Fisalis Leiria

Começo pelo essencial, porque muda a forma de olhar para tudo o resto. A dor crónica não se resolve numa sessão, e quem prometer isso não está a ser honesto consigo. Resolve-se com um trabalho feito a dois, ao longo de algumas semanas, sem pressa. A boa notícia é que, na maioria dos casos, resulta. A parte que faz a diferença entre resultar e não resultar costuma não ser a técnica. É a forma como se conduz o processo.

E vale a pena dizer uma coisa, porque ajuda a perceber que não está sozinho nisto: a dor nas costas não escolhe profissão. Aperta o ombro do surfista que passa a manhã na água ao largo da Nazaré, instala-se nas costas de quem anda na construção de sol a sol, fixa-se no pescoço do cirurgião que opera horas seguidas em pé, ou de quem vive curvado sobre o portátil, entre reuniões e fusos horários. Muda a história de cada um, mas a queixa rima: uma zona que ficou presa e que, com o tempo, se habituou a doer.

O que pode mesmo esperar da primeira sessão

Resposta direta: da primeira sessão costuma sair com alívio, não com a dor resolvida. E isso é exatamente o que devia esperar.

Uma boa primeira sessão de massagem tende a soltar o músculo sobrecarregado, devolver alguma mobilidade e, com frequência, melhorar o sono nessa mesma noite. É um sinal de que o corpo responde à massagem, e é um bom sinal. O que não acontece numa só vez é mudar o padrão que provoca a dor, porque esse padrão demorou meses, ou anos, a instalar-se. Sentir-se melhor logo é encorajador. Confundir esse alívio com cura é o primeiro passo para desistir cedo de mais, e já lá vamos.

O espectro real de resultados (sem pintar o quadro cor-de-rosa)

Para ser justo consigo, convém mostrar o leque todo, e não só o melhor cenário. A evidência ajuda aqui. Num ensaio clínico de referência publicado nos Annals of Internal Medicine (Cherkin et al., 2011), com mais de 400 pessoas com dor crónica nas costas, cerca de dois terços de quem fez massagem melhorou de forma significativa às dez semanas, contra cerca de um terço no grupo sem tratamento. O benefício manteve-se aos seis meses e foi-se diluindo ao fim de um ano sem continuidade. Três conclusões honestas saem daqui.

CenárioCom que frequênciaO que costuma acontecer
Resposta claraA maioriaAlívio cedo, melhoria sólida ao longo do plano, dor menos frequente e menos intensa
Resposta mais lentaUma parteProgride aos altos e baixos, precisa de mais sessões e do trabalho em casa
Pouca ou nenhuma respostaUma minoriaA massagem sozinha não chega, é altura de reavaliar ou encaminhar

Repare na última coluna do meio: o benefício diluiu-se ao fim de um ano sem continuidade. Não porque a massagem deixasse de servir, mas porque a vida volta a carregar o corpo da mesma maneira. É a primeira pista de porque é que parar no momento errado deita a perder o resultado.

O erro que estraga mais resultados do que qualquer técnica

Aqui está a parte que lhe vai poupar dinheiro e desilusão. Os dois maiores inimigos do resultado não são clínicos, são de comportamento: a pressa e o abandono terapêutico.

Muita gente pensa assim: “se não me curou à primeira, então não funciona”. Desiste à segunda sessão e conclui que a massagem não resulta. Na verdade, mal tinha começado. Uma dor que se montou ao longo de dois anos não se desmonta em duas semanas, e julgar o tratamento pelas primeiras sessões é como julgar um livro pela capa.

Outros pensam o contrário, e o erro é igualmente caro: “já me sinto bem, está tratado, posso parar”. Param à terceira sessão, no exato momento em que o alívio aparece, mas antes de o padrão muscular ter mudado. Abandono terapêutico é precisamente isto, parar o tratamento assim que os sintomas aliviam, antes de a causa estar tratada. Semanas depois a dor regressa, e fica a ideia injusta de que “a massagem não resultou”, quando na verdade resultou, e foi interrompida a meio.

Há ainda a psicologia por trás disto, e vale a pena nomeá-la. Quem já tentou de tudo chega muitas vezes descrente, e a descrença leva a desistir ao primeiro tropeção, quase como uma profecia que se cumpre a si própria. E quando o alívio chega, o problema sai da frente dos olhos e deixa de ser prioridade, até voltar. Conhecer estas duas armadilhas é meio caminho para não cair nelas.

Porque é que a dor crónica se agarra com tanta força

Para perceber porque é preciso paciência, ajuda saber o que torna uma dor crónica. Dor crónica é a dor que persiste para além de cerca de três meses, além do tempo normal de cicatrização dos tecidos. A esta altura, já não é apenas “uma dor que dura muito”. O sistema nervoso passou a ter um papel.

O nome técnico para esse papel é sensibilização central, e explica-se em duas linhas: com o tempo, o sistema nervoso “sobe o volume” da dor e aprende a doer, ao ponto de a dor se manter mesmo quando o tecido já está melhor. É por isto que a dor crónica não cede num instante, e é também por isto que se desfaz aos poucos. Não se está só a soltar um músculo. Está a ensinar-se um sistema inteiro a baixar o alarme, e isso leva o seu tempo.

“Mas eu aguento”: o mito de que aguentar resolve

Há uma ideia, muito nossa, de que a dor se resolve a aguentar. Quem trabalha muito tende a orgulhar-se disso. Convém dizer com clareza: na dor crónica, aguentar calado raramente é força, e costuma sair caro.

Aguentar uma dor crónica durante meses não a “treina” para passar. Pelo contrário, dá tempo à tal sensibilização central para se instalar mais fundo, e ao corpo para se organizar à volta da dor, com posturas de defesa que criam tensão nova. Quanto mais tempo se ignora, mais enraizado fica o padrão, e mais trabalho dá depois desfazê-lo. Não é um sermão, é só a mecânica da coisa: a dor que se trata cedo costuma ser mais simples do que a dor que se arrastou anos.

E se, mesmo assim, não resultar?

Sendo honesto até ao fim: numa minoria de casos, a massagem sozinha não move a dor o suficiente. Acontece, e é importante que saiba disso à entrada, e não no fim.

Se ao fim de três ou quatro sessões não houver qualquer sinal de mudança, nem alívio mais longo, nem mais mobilidade, nem dor menos intensa, isso é informação, não é fracasso. Significa que o seu caso pede outra coisa: outra abordagem, mais exercício do que mãos, ou uma avaliação médica para excluir o que a massagem não trata. Não lhe vou prometer um resultado garantido, porque ninguém honesto o pode fazer com a saúde. O que lhe posso prometer é que, se o seu caso não for das minhas mãos, sou eu o primeiro a dizê-lo, e a encaminhá-lo. É essa franqueza, e não uma promessa de cura, que devia procurar em quem o trata.

E o que acontece se não tratar nada?

Vale a pena olhar também para o outro lado da decisão, sem dramatizar. Deixar uma dor crónica entregue a si própria raramente é neutro.

Com o tempo, o corpo tende a mexer-se menos para fugir à dor, os músculos perdem condição por falta de uso, e a sensibilização central instala-se. A dor que estava num ponto pode tornar-se a banda sonora de fundo do dia, e mexer com o sono, a disposição e a capacidade de trabalhar. Não é uma fatalidade, e não é para assustar. É apenas o custo real de não fazer nada, posto na mesa ao lado do custo de tratar, para que a conta seja honesta.

O que se pede de si (e o que não se promete)

Aqui está o acordo, dito com todas as letras. Da minha parte, uma avaliação a sério, um plano à medida e a verdade sobre o que está a resultar. Da sua, paciência para não julgar o processo às duas sessões, e disciplina para os poucos minutos de exercício em casa que fixam o resultado. É um trabalho a dois, sem pressa, e é assim que, na maioria dos casos, a dor crónica passa a voltar menos vezes e com menos força.

O que não se promete é uma cura para sempre com uma assinatura no fundo. Promete-se trabalho honesto, um caminho realista, e o compromisso de lhe dizer a verdade em cada passo, mesmo quando a verdade é “isto não é comigo, é com o médico”. Se procura exatamente este tipo de honestidade, o primeiro passo é simples e de baixo risco: uma sessão de massagem para perceber como o seu corpo responde.

E digo-lhe isto de pessoa para pessoa, sem floreados: se já está cansado de abafar a dor na almofada à noite, ou de a aguentar em silêncio dia após dia, então vamos antes tentar resolvê-la. Vamos experimentar, uma sessão para começar, e eu faço a minha parte com tudo o que sei. Não prometo milagres. Prometo que tento a sério, e que lhe digo a verdade pelo caminho.

A 1.ª sessão de massagem na Fisalis, no centro de Leiria, fica em 30€ e inclui a avaliação completa, o tratamento à medida, o vídeo de exercícios e o acompanhamento. Recebemos utentes de Leiria e da região envolvente, incluindo Batalha, Pombal e Caldas da Rainha.

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Perguntas frequentes

A massagem dá resultado na dor crónica nas costas?

Na maioria dos casos, sim. A evidência clínica (Cherkin et al., 2011) indica que cerca de dois terços das pessoas com dor crónica nas costas melhoram de forma significativa com massagem. Não é universal, e o resultado depende de fazer o plano completo e de juntar algum exercício, mas para a maioria costuma compensar.

Vou sentir resultado logo na primeira sessão?

Costuma sentir alívio, não a dor resolvida. É normal sair mais leve e dormir melhor nessa noite. A mudança do padrão que causa a dor faz-se ao longo de algumas sessões, porque esse padrão demorou tempo a instalar-se.

Porque é que a dor volta se a massagem me aliviou?

Frequentemente porque o tratamento parou cedo de mais, assim que o alívio apareceu, antes de a causa estar trabalhada. A esse erro chama-se abandono terapêutico. O alívio é real, mas o padrão muscular ainda não tinha mudado, e por isso a dor regressou.

Quanto tempo posso aguentar antes de tratar?

Pode aguentar, mas costuma sair caro. Numa dor crónica, o tempo deixa o sistema nervoso mais sensível e o padrão mais enraizado, o que dá mais trabalho depois. Tratar cedo tende a ser mais simples do que desfazer uma dor de anos.

E se não resultar comigo?

Numa minoria de casos, a massagem sozinha não chega. Se ao fim de três ou quatro sessões não houver qualquer sinal de mudança, o mais correto é reavaliar e, se for o caso, encaminhar para o médico. Não se promete resultado garantido, promete-se honestidade sobre o que está, ou não, a resultar.

A massagem cura a dor crónica?

Não se fala em cura garantida. Trabalha-se o padrão muscular que alimenta a dor, para que volte menos vezes e com menos força, o que para a maioria das pessoas faz uma diferença real no dia a dia. Quando há sinais que pedem médico, encaminha-se.


Conteúdo da responsabilidade de Dmytro Chervenyak, Mestre em Fisioterapia e Ergoterapia (grau reconhecido pela DGES Portugal), com mais de 8 anos de prática clínica. Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento médico individualizado. Em caso de sintomas persistentes, consulte um médico ou terapeuta qualificado.

Fontes: Cherkin DC et al., A Comparison of the Effects of 2 Types of Massage and Usual Care on Chronic Low Back Pain, Annals of Internal Medicine (2011); Organização Mundial de Saúde, Guideline for non-surgical management of chronic primary low back pain in adults (2023).

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Dmytro Chervenyak Mestre em Fisioterapia

Mestre em Fisioterapia e Ergoterapia pela Universidade Católica Ucraniana, com reconhecimento pela DGES Portugal.…