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Estética

Pressoterapia: Para Que Serve, Como Funciona e Quando Vale a Pena

· 15 min de leitura · Maryna Syrgiychuk Maryna Syrgiychuk
pressoterapia em Leiria — compressão pneumática para pernas inchadas e retenção de líquidos, Fisalis Estúdiopressoterapia em Leiria — compressão pneumática para pernas inchadas e retenção de líquidos, Fisalis Estúdio

A primeira vez que alguém vê o equipamento de pressoterapia, a reação mais comum é de surpresa. Parece uma combinação de fato espacial com bota de ski — um conjunto de câmaras de ar que cobre as pernas, às vezes o abdómen ou os braços, ligado a uma máquina que insufla e desinsufla em sequência. A sessão começa, a pressão sobe progressivamente dos tornozelos para as coxas, e a sensação é de algo entre um abraço firme e uma massagem muito lenta. A maioria das pessoas adormece.

Trabalho com pressoterapia na Fisalis há vários anos, e o que observo é sempre o mesmo padrão: quem chega sem saber bem o que esperar sai convencido. Quem chega com expectativas erradas — a esperar que emagreça, que trate celulite estrutural ou que substitua o exercício — fica desapontado. A diferença está em perceber para o que isto serve de facto e para o que não serve.

Este artigo é o guia completo que devia existir sobre pressoterapia em português europeu: mecanismo, evidência, perfis de quem mais beneficia, protocolo de sessão passo a passo, quantas sessões precisa e porquê a combinação com drenagem linfática manual muda completamente o resultado.

O que é a pressoterapia e como funciona — o mecanismo sem mistério

A pressoterapia é uma técnica de compressão pneumática intermitente. Utiliza um equipamento composto por câmaras de ar dispostas em segmentos — nas pernas, no abdómen ou nos braços — que se enchem e esvaziam de forma sequencial e controlada por um computador. A pressão progride sempre da extremidade para o centro: dos tornozelos para os joelhos, dos joelhos para as coxas, das coxas para os gânglios inguinais.

Este movimento imita precisamente o que os músculos da perna fazem quando caminhas: cada contracção muscular comprime as veias e os vasos linfáticos, empurrando o sangue e a linfa em direcção ao coração e aos gânglios. Quando estás sentada horas a fio, esse mecanismo quase pára. A pressoterapia substitui-o artificialmente.

O resultado fisiológico directo: o fluido acumulado nos tecidos é mobilizado, o retorno venoso melhora, os capilares linfáticos são estimulados a transportar o excesso de líquido intersticial para os gânglios, e os metabolitos acumulados nos tecidos musculares são eliminados mais rapidamente.

O que a pressoterapia faz — e o que não faz

Há muita informação contraditória sobre pressoterapia porque se misturam benefícios reais com promessas de marketing. Separar os dois é o primeiro passo para perceber se isto é para ti.

O que a pressoterapia fazO que não faz
Reduz edema e inchaço nos membros inferioresElimina gordura localizada
Melhora o retorno venoso e linfáticoTrata celulite estrutural (fibrosa ou profunda)
Alivia a sensação de pernas pesadas e cansadasSubstitui o exercício físico
Acelera a eliminação de metabolitos pós-treinoEmagrece ou remodela a silhueta
Reduz o edema pós-operatórioTrata varizes estabelecidas
Complementa e potencia a drenagem linfática manualSubstitui a drenagem linfática manual
Melhora a qualidade de vida em insuficiência venosa crónicaCura linfedema secundário (só o gere)
Promove relaxamento muscular profundoTrata lesões musculares estruturais

A honestidade sobre esta lista é o que diferencia um contexto clínico de um centro estético. Na Fisalis, se o teu objetivo não é compatível com o que a pressoterapia faz, dizemos-to antes de te cobrar uma sessão.

Para quem serve mesmo a pressoterapia — os perfis que mais beneficiam

Há um padrão claro nas pessoas que chegam à Fisalis para pressoterapia e saem com resultados que justificam voltar. São perfis específicos, não uma solução universal.

Quem tem pernas pesadas e inchaço ao fim do dia. Trabalha sentada ou de pé por muitas horas, e à tarde as pernas parecem diferentes das da manhã. O tornozelo deixa marca quando tiras as meias. Sabes que é retenção de líquidos mas o que tentaste até agora — beber mais água, deitar com as pernas elevadas — alivia só parcialmente. A pressoterapia é a resposta directa para este padrão.

Quem está a recuperar de cirurgia plástica ou estética. Abdominoplastia, lipoaspiração, mastopexia, rinoplastia — qualquer cirurgia que produz edema significativo. A pressoterapia, combinada com drenagem linfática manual, é o protocolo pós-operatório padrão para acelerar a reabsorção do edema e prevenir fibrose. Existe um protocolo pós-operatório detalhado com os timings exactos por tipo de cirurgia.

Atletas em recuperação. Corredores, ciclistas, futebolistas e triatletas que acumulam volume de treino alto e precisam de recuperar mais depressa entre sessões. A pressoterapia reduz o DOMS (dor muscular tardia), acelera a eliminação de lactato e melhora a sensação subjectiva de recuperação.

Quem viaja muito ou tem vida sedentária. Voos longos, reuniões de horas, trabalho de escritório — qualquer contexto que combina imobilidade com pressão nas pernas. Uma sessão de pressoterapia após um voo de longa distância ou uma semana de confinamento à secretária faz uma diferença imediata.

Grávidas (com cuidados). O edema dos membros inferiores durante a gravidez é quase universal no terceiro trimestre. A pressoterapia nas pernas, nunca no abdómen, e sempre com indicação obstétrica, é uma das formas mais seguras e eficazes de gerir este desconforto. Há mais detalhe no guia completo para grávidas.

Quem tem insuficiência venosa crónica controlada. Varizes de pequeno a médio calibre, sensação de peso e fadiga nos membros inferiores. A pressoterapia não trata as varizes em si, mas melhora significativamente o retorno venoso e alivia a sintomatologia.

Porque é que a drenagem linfática manual primeiro muda tudo

Este é o ponto que quase ninguém explica — e é provavelmente o mais importante para perceber a diferença entre uma sessão de pressoterapia que funciona bem e uma que funciona muito melhor.

O sistema linfático tem gânglios — pequenos nódulos que filtram a linfa e regulam o fluxo. Os gânglios principais que recebem a drenagem dos membros inferiores ficam na virilha (gânglios inguinais) e nos joelhos (gânglios poplíteos). Quando a pressoterapia movimenta fluido das extremidades em direcção ao centro, esse fluido precisa de ter para onde ir — e se os gânglios não estiverem “abertos” e activos, o fluido chega e não tem saída eficiente.

A drenagem linfática manual, feita antes da pressoterapia, activa esses gânglios. São movimentos específicos e suaves sobre a virilha, os joelhos e os gânglios abdominais que preparam o sistema linfático para receber e processar o fluido que a pressoterapia vai mobilizar. Sem este passo, a pressoterapia ainda funciona — mas de forma significativamente menos eficiente, estimado em 30 a 40% menos eficaz pelos protocolos clínicos de referência.

Na Fisalis, o protocolo padrão de 60 minutos combina sempre os dois: 15 a 20 minutos de drenagem manual dos gânglios + 40 minutos de pressoterapia. É por isso que os nossos resultados são diferentes dos de um centro que aplica só a máquina.

Como é uma sessão — passo a passo

Saber exactamente o que acontece numa sessão elimina a hesitação de quem ainda não experimentou. Aqui está o protocolo completo de uma sessão de 60 minutos na Fisalis.

Recepção e avaliação (5 minutos). Antes de qualquer sessão, especialmente a primeira, é feita uma avaliação rápida: história clínica relevante, medicação, contraindiciações, objetivo da sessão. Isto não é burocracia — é o que determina a pressão correcta e as zonas de trabalho.

Drenagem linfática manual (15-20 minutos). Deitada na marquesa, sem o equipamento ainda. Movimentos suaves e rítmicos sobre os gânglios inguinais (virilha), poplíteos (joelhos) e cervicais quando se trabalha o tronco superior. A pressão é mínima — parece quase não estar a acontecer nada, mas é exactamente aqui que os gânglios são activados para receber o que vem a seguir.

Equipamento e configuração (5 minutos). O fato de pressoterapia é colocado — geralmente calças com segmentos desde os pés até às coxas, ou incluindo a zona abdominal. A pressão é configurada individualmente: mais baixa para primeiras sessões, pós-operatórios recentes ou peles sensíveis; mais alta para atletas ou manutenção.

Sessão de pressoterapia (40 minutos). A máquina começa. A pressão sobe dos pés para os tornozelos, depois para os joelhos, depois para as coxas — e recomeça. O ciclo repete-se continuamente. A sensação é de um abraço progressivo que sobe ao longo da perna, liberta, e volta a começar pelos pés. Não dói. A maioria das pessoas relaxa completamente e muitas adormecem. É um dos tratamentos mais confortáveis que existe em contexto clínico.

Fim da sessão e orientações (5 minutos). O fato é retirado. As pernas ficam visivelmente menos inchadas e mais leves. São dadas orientações para as 24 horas seguintes: beber bastante água (o sistema linfático precisa de hidratação para continuar a trabalhar), evitar calor intenso (sauna, banho muito quente) que reverte parte do efeito, e esperar um aumento normal da micção nas primeiras horas.

O que sentires durante e depois — o que é normal e o que não é

Durante a sessão: sensação de pressão progressiva ascendente, ligeiro formigueiro quando a pressão liberta, calor moderado nas zonas de trabalho. Adormecer é completamente normal e frequente.

Nas primeiras horas depois: leveza imediata nas pernas, necessidade de urinar com mais frequência (o sistema linfático está a trabalhar), ligeiro cansaço em algumas pessoas — especialmente nas primeiras sessões.

No dia seguinte: as pernas estão menos inchadas, a sensação de peso não volta com a mesma intensidade. Com sessões regulares, este intervalo vai aumentando progressivamente.

O que não é normal: dor intensa durante a sessão (a pressão está demasiado alta), vermelhidão persistente ou calor localizado após a sessão, agravamento do inchaço. Se qualquer destes acontecer, comunica imediatamente.

Equipamento, cosméticos e o que usar na sessão

A qualidade do equipamento influencia directamente a qualidade da sessão. Nem todos os aparelhos de pressoterapia são iguais — a diferença está na precisão do controlo de pressão por segmento e na qualidade dos materiais do fato.

Os aparelhos de referência clínica utilizados em fisioterapia profissional permitem regular a pressão de cada segmento de forma independente — o que é essencial para adaptar o protocolo a pós-operatórios, zonas sensíveis ou diferentes condições clínicas. Na Fisalis utilizamos equipamento de grau clínico com controlo segmentar independente.

Quanto a cosméticos durante a sessão: não são aplicados directamente sob o fato de pressoterapia. O que pode ser feito antes, na fase de drenagem manual, é a aplicação de um óleo de drenagem ligeiro para facilitar o deslize — o Terpenic Óleo Drenante Bio e o Weleda Óleo de Bétula são os que utilizamos com mais frequência. O fato fica sempre por cima do pijama ou de roupa confortável e fina que a pessoa traz.

Quantas sessões precisa — e com que frequência

A resposta honesta é: depende do objetivo. Há três contextos distintos com protocolos diferentes.

ObjetivoFrequência inicialN.º de sessõesManutenção
Pernas pesadas / retenção crónica2x por semana nas primeiras 3 semanas6 a 8 sessões iniciais1x por semana ou quinzenal
Pós-operatório (lipo, abdominoplastia)Diária ou em dias alternados nas primeiras 2 semanas10 a 20 sessõesSemanal até estabilização
Recuperação desportivaApós cada competição ou semana de carga altaSem número fixo — contextual1x por semana em época
Gravidez (membros inferiores)1-2x por semana a partir do 2.º trimestreConforme necessidade clínicaSemanal enquanto houver edema
Bem-estar e prevençãoQuinzenal ou mensalSem limite definidoManutenção contínua

O efeito é perceptível a partir da primeira ou segunda sessão. O efeito cumulativo — onde o sistema linfático fica progressivamente mais responsivo e o intervalo entre sessões pode ser alargado mantendo o resultado — aparece geralmente a partir da quarta ou quinta sessão.

Contraindicações — quando não fazer

A pressoterapia é segura para a grande maioria das pessoas, mas há situações onde não está indicada ou onde é preciso avaliação prévia.

🔴 Não fazer: trombose venosa profunda activa ou suspeita — a mobilização de fluido pode deslocar um trombo; insuficiência cardíaca descompensada; infecção activa no membro a tratar; feridas abertas ou úlceras activas na zona de trabalho; tumores malignos activos nos membros (sem indicação oncológica).

🟡 Fazer com avaliação e cuidados: gravidez — membros inferiores permitidos em muitos casos, abdómen nunca; diabetes com neuropatia periférica — a sensibilidade reduzida exige controlo da pressão; varizes avançadas com complicações — avaliação antes de iniciar; pós-operatório recente — timing e pressão adaptados ao tipo de cirurgia.

Se tens alguma dúvida sobre se o teu caso tem contraindicações, a avaliação prévia na Fisalis esclarece isso antes de qualquer sessão.

Pressoterapia vs drenagem linfática manual — qual escolher

Não são concorrentes — são complementares. Mas perceber as diferenças ajuda a escolher o que faz mais sentido para cada caso.

A drenagem linfática manual é feita por um terapeuta, com movimentos precisos e adaptáveis a cada zona do corpo. Permite trabalhar gânglios específicos, adaptar a pressão a zonas sensíveis, e combinar diferentes técnicas numa sessão. É mais eficaz em casos de linfedema localizado, pós-operatório de zonas delicadas e situações que precisam de mapeamento individual.

A pressoterapia actua sobre um membro inteiro de forma uniforme e repetida durante 40 minutos — o que um terapeuta não consegue fazer com a mesma consistência durante esse tempo. É mais eficaz em casos de retenção generalizada dos membros inferiores, recuperação desportiva e manutenção regular.

A combinação das duas numa sessão de 60 minutos produz resultados que nenhuma das técnicas consegue isoladamente — e é o protocolo que recomendamos para a maioria dos casos.

Pressoterapia na Fisalis, em Leiria

Na Fisalis a sessão de pressoterapia é sempre combinada com drenagem linfática manual — porque é assim que o protocolo funciona melhor. A sessão começa com avaliação, inclui activação manual dos gânglios e termina com 40 minutos de compressão pneumática com equipamento de grau clínico.

A sessão combinada (drenagem manual + pressoterapia, 60 min) começa a partir de 40€. Valores completos em preços. Para perceber se o teu caso se enquadra neste protocolo ou para marcar sessão, o mais directo é o WhatsApp.

Para saber mais sobre a drenagem linfática em detalhe, há o guia completo sobre drenagem linfática. Se o teu caso é pós-operatório, o protocolo pós-operatório detalhado tem os timings exactos por tipo de cirurgia.

Perguntas frequentes sobre pressoterapia

A pressoterapia dói?

Não. A sensação é de pressão progressiva e depois alívio, repetida em ciclos. A pressão é regulável e adaptada a cada caso. A maioria das pessoas acha a sessão profundamente relaxante e adormece durante os 40 minutos de compressão.

Quantas sessões são precisas para ver diferença?

A diferença é perceptível a partir da primeira ou segunda sessão, especialmente na sensação de leveza nas pernas. O efeito cumulativo, onde o sistema linfático fica mais responsivo e o intervalo pode ser alargado, aparece a partir da quarta ou quinta sessão.

Posso fazer pressoterapia durante a gravidez?

Nos membros inferiores, em muitos casos sim, com indicação obstétrica e técnica adaptada. Nunca na zona abdominal. O timing e a pressão são sempre definidos em articulação com o médico ou parteira responsável. Há mais detalhe no guia para grávidas.

Qual a diferença entre pressoterapia e drenagem linfática manual?

A drenagem manual é feita por um terapeuta com movimentos precisos e adaptáveis — mais eficaz em zonas específicas e linfedema localizado. A pressoterapia actua sobre um membro inteiro de forma contínua durante 40 minutos — mais eficaz para retenção generalizada e recuperação desportiva. A combinação das duas é o protocolo com melhores resultados.

Posso comprar um aparelho de pressoterapia para usar em casa?

Existem aparelhos domésticos disponíveis em Portugal a partir de 80-150€. São úteis para manutenção regular, mas não têm o controlo segmentar independente dos aparelhos clínicos e não incluem a activação manual dos gânglios que potencia o resultado. Para casos clínicos, pós-operatórios ou retenção marcada, o protocolo profissional é mais eficaz.

O que fazer depois de uma sessão de pressoterapia?

Beber bastante água nas horas seguintes — o sistema linfático continua a trabalhar e precisa de hidratação. Evitar calor intenso (sauna, banho muito quente) nas primeiras horas. Esperar um aumento normal da micção. Evitar esforço físico intenso no mesmo dia se o objetivo era recuperação.

A pressoterapia ajuda a emagrecer?

Não directamente. O que pode acontecer é uma redução visível de volume por eliminação de fluido retido nos tecidos, o que se pode confundir com perda de peso. Mas não há queima de gordura nem perda de massa. Para emagrecimento, o caminho é alimentação e exercício.

Posso fazer pressoterapia se tiver varizes?

Com varizes simples de pequeno a médio calibre, geralmente sim, e pode ajudar no retorno venoso. Com varizes avançadas, complicadas ou tromboflebite activa, é necessária avaliação prévia. A avaliação na Fisalis esclarece se o teu caso tem indicação antes de qualquer sessão.

Fontes

Este artigo tem carácter informativo. A pressoterapia é uma técnica com contraindicações específicas. Antes de iniciar qualquer protocolo, especialmente em contexto pós-operatório, gravidez ou patologia vascular, consulta o teu médico ou o profissional de saúde responsável.

Tem dúvidas ou quer marcar uma sessão?

Maryna Syrgiychuk Técnico Auxiliar de Reabilitação e Fisioterapia

Técnica Auxiliar de Reabilitação e Fisioterapia pela Escola do Saber, Leiria. Especialista em massagem de relaxamento, drenagem linfática, pressoterapia e técnicas de bem-estar.…