Quem passa por uma cirurgia plástica recebe, na maior parte dos casos, uma indicação do cirurgião para fazer drenagem linfática. O que raramente recebe é uma explicação de porque é que isso importa, o que exatamente muda com ela, e o que acontece quando se adia ou se salta.
Sou a Maryna, técnica de fisioterapia e reabilitação na Fisalis, em Leiria, e trabalho com pós-operatórios de cirurgia plástica de forma regular. O que escrevo aqui não é marketing de sessões — é o que os estudos confirmam e o que se observa na prática quando o protocolo é seguido e quando não é.
O que a cirurgia faz ao sistema linfático
Qualquer cirurgia plástica — abdominoplastia, lipoaspiração, mastopexia, ritidoplastia — implica corte e manipulação de tecidos. Nesse processo, capilares linfáticos são interrompidos. O sistema linfático, que em condições normais drena continuamente o líquido intersticial dos tecidos, fica temporariamente sem percurso.
O resultado é edema obrigatório: o líquido acumula-se nos tecidos operados porque não tem para onde ir. Este edema é esperado e faz parte do processo de cicatrização. O que não é inevitável é a sua duração, a sua intensidade e as complicações que pode gerar quando não é gerido.
Sem drenagem, o líquido estagnado pode organizar-se em fibroses — endurecimentos do tecido subcutâneo que alteram o resultado estético e são difíceis de reverter depois de instalados. Pode formar seromas — acumulações de líquido que por vezes precisam de aspiração médica. E pode simplesmente atrasar a recuperação de semanas para meses, com dor persistente e sensação de peso que não cede.
A drenagem linfática manual não “remove” o edema por pressão. O que faz é estimular os capilares linfáticos remanescentes e as vias colaterais a reorganizarem o fluxo, acelerando o processo que o corpo faria sozinho — mas que sem estímulo demora muito mais.
O que a evidência diz
A literatura disponível sobre drenagem linfática em pós-operatório de cirurgia plástica é consistente nos resultados, embora a qualidade metodológica dos estudos varie. O consenso clínico é claro.
Uma revisão integrativa publicada na Revista JRG de Estudos Acadêmicos (2024), que analisou estudos sobre DLM após abdominoplastia, concluiu que a técnica contribui para redução de edemas, hematomas e dor, além de melhoria da estética e do bem-estar dos pacientes. Uma revisão publicada na Revista Multidisciplinar Integrada (2025) confirma que a DLM se mostrou componente indispensável no cuidado pós-operatório, com benefícios clínicos relevantes e segurança na recuperação, e que os resultados se potenciam quando combinada com malhas compressivas e outros recursos fisioterapêuticos.
O mecanismo que a evidência sustenta é o seguinte: a DLM promove reabsorção de líquidos intersticiais, redução de edema e inflamação, melhoria do retorno linfático e oxigenação tecidual. Em termos práticos, isso traduz-se em menos dor, menos rigidez, cicatrização mais uniforme e resultado estético mais próximo do esperado.
| Benefício documentado | Relevância clínica |
|---|---|
| Redução de edema pós-cirúrgico | Principal indicação — acelera a reabsorção de líquido estagnado |
| Prevenção de fibrose | Crítica nas primeiras semanas — fibrose instalada é difícil de reverter |
| Redução de seroma | Diminui risco de acumulação que pode exigir aspiração médica |
| Redução de dor e desconforto | Melhoria directa da qualidade de vida no pós-operatório imediato |
| Melhoria do resultado estético | Pele mais uniforme, contornos mais definidos, cicatriz mais plana |
| Aceleração da cicatrização | Melhora oxigenação tecidual e reduz ambiente inflamatório prolongado |
Quando começar — o timing é o que mais importa
A primeira pergunta que toda a pessoa faz depois de uma cirurgia é: quando posso começar? A resposta depende do tipo de cirurgia, da técnica utilizada e da evolução individual — e quem a dá é sempre o cirurgião plástico, não o terapeuta. O que posso dizer é como o protocolo habitualmente se estrutura quando a indicação médica existe.
| Cirurgia | Início habitual | Frequência inicial | N.º de sessões típico | Notas |
|---|---|---|---|---|
| Abdominoplastia | 24–48h pós-op (com indicação) ou após 1ª revisão | Diária ou em dias alternados nas primeiras 2 semanas | 10–20 sessões | Nunca sobre a cicatriz activa. Área abdominal com precaução nas primeiras sessões. |
| Lipoaspiração | 24–48h pós-op | Diária na 1ª semana, depois 2-3x/semana | 10–15 sessões | Áreas tratadas mais sensíveis. Pressão adaptada. |
| Abdominoplastia + lipo combinada | Após indicação do cirurgião (geralmente 3–5 dias) | 2-3x/semana nas primeiras 3 semanas | 15–20 sessões | Protocolo mais extenso pela área envolvida. |
| Mastopexia / aumento mamário | Após indicação do cirurgião | 2x/semana | 8–12 sessões | Drenagem dos gânglios axilares e região peitoral. Nunca directamente na mama operada sem indicação. |
| Cirurgias faciais (ritidoplastia, rinoplastia) | 48–72h pós-op | Diária na 1ª semana | 6–10 sessões | Técnica facial específica, pressão muito suave, gânglios cervicais. |
Estes números são orientações baseadas na prática clínica e na literatura disponível. O protocolo real é sempre definido em articulação com o cirurgião responsável. Se houver qualquer sinal de complicação — vermelhidão excessiva, febre, dor desproporcional, secreção — a sessão não avança e o doente regressa ao cirurgião.
O que acontece quando não se faz drenagem
Não fazer drenagem depois de uma cirurgia plástica não é necessariamente catastrófico — o corpo recupera por si, mais devagar. O problema não é a ausência de drenagem em si, é o que pode instalar-se nesse tempo extra.
A fibrose é a complicação mais relevante e a que mais impacta o resultado final. Forma-se quando o tecido cicatricial se organiza de forma desordeira no ambiente de edema prolongado, criando endurecimentos e irregularidades subcutâneas. Uma vez instalada, a fibrose é muito mais difícil e demorada de tratar do que de prevenir. A janela preventiva são as primeiras semanas de pós-operatório — exactamente quando a drenagem é mais eficaz.
O seroma é outra complicação possível: acumulação de líquido que forma uma cavidade sob a pele, detectável à palpação ou à ecografia. Pode requerer aspiração pelo cirurgião e prolonga o período de recuperação. A drenagem linfática não elimina o risco de seroma — especialmente nas cirurgias com maior descolamento tecidual — mas reduz a acumulação de líquido que favorece a sua formação.
O que a drenagem não faz
Com a mesma precisão com que se descreve o que a drenagem faz, importa dizer o que não faz.
- Não corrige resultados cirúrgicos insatisfatórios — assimetrias, excesso de pele, posicionamento de implantes são questões do cirurgião
- Não trata infecção — febre, secreção purulenta, calor e vermelhidão localizada são sinais de alerta para o médico
- Não previne nem trata necrose tecidular
- Não substitui a malha compressora, que deve ser usada em paralelo conforme indicação do cirurgião
- Não acelera indefinidamente — a partir de determinado ponto do pós-operatório, o benefício da drenagem diminui e o protocolo é reduzido ou encerrado
Quem faz drenagem com expectativas realistas e em articulação com o seu cirurgião recupera melhor. Quem a faz à espera de corrigir algo que a cirurgia não entregou vai ficar desapontado — e o problema é outro.
Protocolo pós-operatório em Leiria
Na Fisalis trabalhamos com pós-operatórios de cirurgia plástica com protocolo adaptado a cada cirurgia e a cada fase da recuperação. A sessão começa sempre por perceber em que ponto está a cicatrização e o que o cirurgião indicou — não aplicamos técnica sem esse contexto.
A drenagem linfática manual começa a partir de 30€ e a versão com pressoterapia a partir de 40€. Valores completos em preços. Para marcar ou esclarecer dúvidas sobre o protocolo para a tua cirurgia específica, o mais direto é o WhatsApp.
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Perguntas frequentes
Quando se pode começar a drenagem depois de uma abdominoplastia?
Depende da técnica cirúrgica e da evolução individual. Em muitos casos é possível iniciar nas primeiras 24 a 48 horas, com a indicação e autorização do cirurgião plástico. Sem essa indicação, a sessão não avança. O cirurgião é sempre o primeiro a consultar.
Quantas sessões de drenagem são precisas após cirurgia plástica?
Varia com o tipo e extensão da cirurgia. Para abdominoplastia ou combinada com lipoaspiração, o protocolo habitual é de 10 a 20 sessões. Para lipoaspiração isolada, tipicamente 10 a 15. Para cirurgias faciais, 6 a 10. O número exacto é ajustado à evolução da cicatrização.
A drenagem dói no pós-operatório?
A drenagem linfática usa pressão muito suave — é a técnica de menor pressão na fisioterapia manual. No pós-operatório imediato pode haver sensibilidade na zona operada, mas a sessão é adaptada à tolerância do momento. Se houver dor durante a sessão, paramos e avaliamos.
Posso combinar drenagem com pressoterapia no pós-operatório?
Em muitos casos sim, e a combinação potencia os resultados. A pressoterapia é introduzida a partir de determinada fase da recuperação, sempre com indicação do cirurgião. Não é usada em feridas abertas, pontos ou zonas com complicações activas.
O que devo levar para a primeira sessão de drenagem pós-operatória?
A indicação do cirurgião plástico (escrita ou verbal, com data de autorização), informação sobre o tipo de cirurgia e técnica usada, e a malha compressora que está a usar. Com isso conseguimos adaptar o protocolo desde a primeira sessão.
Fontes
- Lima A, Moraes Filho D. A importância da drenagem linfática manual no pós-operatório de abdominoplastia. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2024.
- Andrade LC, et al. Efeitos da drenagem linfática manual no pós-operatório imediato de abdominoplastia. Revista Multidisciplinar Integrada, 2025.
- Physiopedia. Lymphoedema — mecanismos do sistema linfático e aplicação clínica pós-cirúrgica.
- Nahas FX, et al. Changes in the Pattern of Superficial Lymphatic Drainage after Abdominoplasty. PubMed, 2022.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a indicação do cirurgião plástico responsável. O protocolo de drenagem pós-operatória deve ser sempre definido em articulação com o médico que realizou a cirurgia. Em caso de sinais de complicação — febre, dor desproporcional, vermelhidão, secreção — procura o cirurgião antes de qualquer sessão.

