Rua Dr. José Gonçalves 15A, Leiria, 2410-121 Localização central em Leiria, junto à Av. Marquês de Pombal
+351 916 002 140 Chamada para rede móvel nacional
Curiosidades

O que acontece no corpo durante uma massagem terapêutica

· 3 min de leitura · fisalis.pt
O que acontece no corpo durante uma massagem terapêutica

Para muitas pessoas, a massagem é uma experiência intuitiva — sabe-se que faz bem, mas raramente se questiona o mecanismo. A investigação científica das últimas três décadas revelou um conjunto fascinante de respostas fisiológicas que explicam porque o toque terapêutico transforma o estado do corpo de forma tão profunda e rápida.

Nos músculos e tecidos: a mecânica da libertação

A pressão mecânica da massagem sobre os tecidos estimula os mecanorreceptores — sensores de pressão presentes nos músculos, tendões e fáscia. Esta estimulação ativa reflexos espinhais (arco reflexo espinhal) que inibem os neurónios motores gama, reduzindo o tónus do músculo em tensão.

Nos tecidos conjuntivos e na fáscia, a pressão e o deslizamento provocam um fenómeno chamado tixotropia: a fáscia, que é viscoelástica e semi-sólida em repouso, torna-se mais fluida quando sujeita a pressão mecânica. É este mecanismo que explica a melhoria de flexibilidade imediata após uma sessão.

Na circulação: vasodilatação e limpeza dos tecidos

A massagem provoca vasodilatação local — os capilares sanguíneos e linfáticos dilatam-se, aumentando o fluxo nos tecidos tratados. Este efeito tem consequências diretas:

  • Aumento da oxigenação muscular local
  • Aceleração da remoção de metabolitos inflamatórios (prostaglandinas, histamina)
  • Fornecimento de nutrientes para a regeneração tecidual
  • Redução da pressão venosa periférica — o que explica o alívio imediato das “pernas pesadas”

A pele fica visivelmente ruborizada durante a sessão — sinal direto do aumento de circulação local. Em pessoas com má circulação periférica, este rubor pode demorar mais a aparecer.

No sistema nervoso: o “interruptor” do stresse

Este é talvez o efeito mais transformador da massagem. O toque terapêutico — especialmente com pressão moderada e ritmo lento — ativa o sistema nervoso parassimpático através da estimulação dos nervos vagais e dos receptores cutâneos de pressão suave (corpúsculos de Meissner e Pacini).

O resultado fisiológico é imediato e mensurável:

  • Diminuição da frequência cardíaca (5–10 bpm em média)
  • Redução da pressão arterial sistólica
  • Aprofundamento da respiração (aumento do volume tidal)
  • Redução do tónus muscular geral (relaxamento esquelético)

Para pessoas que vivem em estado crónico de ativação simpática (“alerta permanente”), a massagem é uma das poucas intervenções capazes de induzir um estado genuíno de recuperação — não apenas subjetivo, mas mensurável em parâmetros fisiológicos.

Nos hormonas: o que as análises revelam

Estudos que medem marcadores bioquímicos antes e após sessões de massagem documentam alterações consistentes e clinicamente significativas:

Hormona/marcadorVariação típicaEfeito clínico
Cortisol (salivar)↓ 28–31%Redução do stresse, melhor recuperação
Serotonina (plasmática)↑ 28%Bem-estar, regulação do sono
Dopamina (urinária)↑ 31%Motivação, redução da dor crónica
Oxitocina↑ significativoEfeito analgésico, sensação de segurança
Substância PRedução da sensibilidade à dor

Fonte: Field et al., Touch Research Institute, Universidade de Miami (meta-análise de 2010, 37 estudos)

O que explica o “adormecer na marquesa”

A combinação de redução de cortisol, aumento de serotonina, ativação parassimpática e diminuição do tónus muscular cria as condições bioquímicas e neurológicas perfeitas para o sono. O eletroencefalograma durante sessões de massagem mostra aumento das ondas delta — as mesmas ondas do sono profundo (N3).

Adormecer na marquesa não é falta de educação: é o corpo a responder exatamente como deve.

Tem dúvidas ou quer marcar uma sessão?