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Saúde

Hérnias discais: o papel da terapia manual na recuperação

· 3 min de leitura · fisalis.pt
Hérnias discais: o papel da terapia manual na recuperação

O diagnóstico de hérnia discal gera frequentemente ansiedade desproporcional. A maioria das hérnias discais resolve-se sem cirurgia em 6 a 12 semanas de tratamento conservador — e a terapia manual é uma das intervenções com melhor evidência nesse processo. Perceber o que está realmente a acontecer na coluna é o primeiro passo para tomar decisões informadas.

O que é uma hérnia discal — e porque nem sempre dói

Os discos intervertebrais são estruturas amortecedoras entre as vértebras, compostas por um núcleo gelatinoso (núcleo pulposo) envolvido por um anel fibroso. Uma hérnia ocorre quando o núcleo rompe ou empurra o anel, podendo comprimir as raízes nervosas adjacentes.

Facto relevante: estudos populacionais mostram que 30–40% das pessoas assintomáticas (sem qualquer dor) têm hérnias discais visíveis em ressonância magnética. A dor surge principalmente quando existe inflamação ativa ou compressão neurológica — não pela hérnia em si.

Graus de hérnia discal e implicações clínicas

GrauDescriçãoSintomas típicosTerapia manual
ProtrusãoDisco abaulado sem rotura do anelDor localizada, ligeira irradiaçãoIndicada
ExtrusãoNúcleo atravessa o anel, sem separaçãoIrradiação clara, dor radicularIndicada com cautela
SequestroFragmento de núcleo separadoDor severa, défices neurológicosAvaliação médica obrigatória

Como a terapia manual intervém — o que realmente acontece

A terapia manual não coloca o disco no lugar — esse é um mito. O que faz, com evidência:

  1. Reduz o espasmo muscular de proteção — o maior contribuinte para a limitação funcional e a dor crónica em hérnias
  2. Melhora a mobilidade segmentar — as técnicas de mobilização articular grau III–IV aumentam a nutrição discal por bombeamento
  3. Descomprime estruturas adjacentes — a tração manual e as técnicas de libertação miofascial reduzem a pressão sobre as raízes nervosas
  4. Diminui a inflamação periférica — através da melhoria da circulação local e do aumento do fluxo linfático

Um estudo de 2017 no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy demonstrou que a mobilização manual foi equivalente à infiltração epidural a curto prazo em pacientes com radiculopatia lombar — sem os riscos associados.

Protocolo típico e progressão esperada

O protocolo depende da fase e da localização da hérnia:

  • Fase aguda (1.ª–2.ª semana) — técnicas de descompressão suave, tração manual, libertação do psoas; evitar mobilização de alta velocidade
  • Fase subaguda (3.ª–6.ª semana) — introdução progressiva de mobilização articular, massagem profunda dos paravertebrais, exercícios de controlo motor
  • Fase de consolidação — treino de estabilização, reeducação postural, prevenção de recidiva

Quando a cirurgia é genuinamente necessária

A terapia manual tem contraindicações absolutas que o profissional deve identificar. Encaminhamento cirúrgico urgente quando:

  • Síndrome da cauda equina — perda de controlo de esfíncteres (urgência cirúrgica em 24–48h)
  • Défice motor progressivo — fraqueza muscular que aumenta ao longo de dias
  • Dor incapacitante sem resposta ao tratamento conservador após 6–12 semanas

Na Fisalis, o Dmytro tem formação específica em patologia discal e trabalha em coordenação com fisiatras e ortopedistas. A avaliação inicial inclui testes ortopédicos validados (Lasègue, Slump, FNST) para determinar o nível de comprometimento.

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