Portugal é o segundo país mais envelhecido da União Europeia, atrás apenas da Itália: quase 192 pessoas com 65 ou mais anos para cada 100 jovens. Há vinte anos havia quatro pessoas a trabalhar por cada idoso, hoje são menos de três. E mais de metade das pessoas que vivem sozinhas no país são idosas. Por trás destes números está um facto simples: quanto menos gente há à volta de uma pessoa, menos vezes alguém lhe toca. E o toque, como se vem a perceber cada vez mais, não é um pormenor, é algo com efeito directo na saúde do corpo.
Em poucas palavras: a massagem para idosos não é um mimo, é uma intervenção com mecanismo próprio num corpo que mudou com a idade de forma que a torna ao mesmo tempo mais necessária e mais diferente do que a massagem para um adulto de 35 anos. Reduz dor crónica, melhora o sono, ajuda o sistema nervoso a relaxar (mais devagar do que num jovem, mas de forma real), e ajuda a manter o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas. Exige sempre pressão mais suave, posição diferente, e duração diferente, nunca é o mesmo protocolo de um adulto jovem.
Na clínica há um tipo de situação que se repete com frequência: uma senhora chega à primeira sessão trazida pela filha, que insistiu na marcação. A senhora não parece muito convencida de que precisa disto, “eu não tenho assim nada que me doa muito”. A meio da sessão, adormece. No final, confessa que já não se lembra de quando foi a última vez que alguém lhe tocou sem ser por uma razão médica. Não é um caso raro, é talvez o cenário mais comum de todos.
O que muda no corpo com a idade, e porque isso importa para a massagem
Envelhecer é uma reorganização gradual dos tecidos, e é essa reorganização que determina como a massagem deve ser.
A pele torna-se mais fina e mais frágil. A partir dos 60 anos, a pele perde cerca de um quinto da sua espessura por cada dez anos. Retém pior a água, machuca-se com mais facilidade, e aparecem nódoas negras com uma pressão que num jovem não deixaria marca nenhuma. O óleo usado na sessão não é só para deslizar as mãos, é hidratação real de uma pele que já não consegue fazer isso sozinha.
Os músculos perdem massa. Este processo começa por volta dos 40 anos e acelera depois dos 60. Aos 70, um homem tem em média menos um terço da massa muscular que tinha aos 30. O músculo fica mais fraco e com mais tecido conjuntivo à mistura. A mesma pressão que relaxa um músculo jovem pode comprimir demasiado um músculo de uma pessoa idosa, por isso um terapeuta que não muda a força que usa está a trabalhar mal, não apenas mais suave.
O tecido conjuntivo fica mais rígido e ao mesmo tempo mais frágil. Parece contraditório, mas é assim: o tecido responde pior à mão, mas também se machuca com mais facilidade. Trabalhar com ele exige mais tempo, e mais calor, que o torna temporariamente mais maleável.
O sistema nervoso demora mais a passar de tensão para calma. Num jovem, o relaxamento profundo instala-se em 15 a 20 minutos de massagem. Numa pessoa idosa, essa transição costuma demorar mais, mas quando acontece, o efeito no sono e no humor é ainda maior, precisamente porque o ponto de partida era mais desgastado.
O toque torna-se cada vez mais raro. É o factor menos óbvio mas com consequências mais sérias para a saúde. Quando uma pessoa passa muito tempo sem ser tocada, o corpo produz mais hormona de stress e o sistema imunitário enfraquece. Um grande estudo (Holt-Lunstad e colegas, 2015, com mais de 300 mil participantes) mostrou que a solidão e a falta de contacto físico aumentam o risco de morte em 26%, praticamente pelos mesmos caminhos em que a massagem regular actua.
A que benefícios há mais evidência, especificamente em pessoas idosas
O sono fica mais profundo. Com a idade, o corpo produz muito menos melatonina, a hormona do sono. A massagem aumenta a serotonina, que o corpo usa depois para fazer melatonina à noite, um efeito já confirmado (Field e colegas, 2005). Para quem já tem o sono comprometido pela idade, isto não é só agradável, é a recuperação de uma função real do organismo.
A dor crónica alivia. Artrose, fibromialgia, dores musculares e articulares são muito mais frequentes em pessoas idosas. Um ensaio clínico com 125 participantes (Perlman e colegas, 2012) mostrou melhoria clara da dor e da mobilidade em pessoas com artrose no joelho, depois de oito semanas de massagem regular. A massagem não trata a artrose em si, trata a tensão muscular e a inflamação à volta da articulação, que tornam a dor mais forte.
A circulação nas pernas melhora. Depois dos 65 anos, é comum a circulação nas pernas piorar, pés frios, tornozelos inchados, feridas que demoram a sarar. A massagem, feita de baixo para cima, ajuda o sangue e a linfa a circularem como a actividade física, que a pessoa já faz menos, costumava fazer.
A ansiedade e a tristeza ligeira diminuem. Em pessoas idosas, a ansiedade e a depressão aparecem muitas vezes disfarçadas de queixas físicas, dor sem explicação, cansaço, mau sono, e não como os sintomas emocionais habituais. Um estudo que comparou massagem com relaxamento guiado em pessoas idosas a viver em casa mostrou que foi a massagem que trouxe a melhoria mais clara no humor e na ansiedade.
O equilíbrio mantém-se melhor. Com a idade, o corpo perde a noção exacta de onde está no espaço, o que aumenta o risco de quedas, uma das maiores causas de perda de independência em pessoas idosas. O toque regular mantém essa ligação entre o corpo e o sistema nervoso mais activa.
O efeito que é difícil de medir mas fácil de ver. Há um benefício que os estudos captam mal mas que qualquer terapeuta reconhece: uma hora inteira em que alguém está completamente atento ao corpo da pessoa. Para quem vive sozinho, com mobilidade reduzida e poucas visitas, isto não é um pormenor, é um contacto real, que o corpo recebe da mesma forma que qualquer outro calor humano.
O que muda na própria sessão
Uma sessão para alguém de 70 anos não se parece com uma sessão para alguém de 35. A diferença não é só na força da pressão.
A pressão é metade da habitual, aumentando só se a pessoa reagir bem e pedir mais.
A posição é mais flexível. Muitas pessoas idosas não conseguem ficar muito tempo de barriga para baixo, seja por causa da respiração, das costas, ou por falta de força para se virarem. A sessão pode ser feita inteira de costas ou até sentada.
As primeiras sessões são mais curtas, trinta minutos costumam bastar para começar. Depois da massagem, é mais comum haver tonturas ao levantar, por isso não há pressa nenhuma.
O aquecimento demora mais, 10 a 15 minutos em vez dos habituais cinco, porque o tecido mais velho responde mais devagar ao calor. As pedras quentes ajudam bastante nesta fase.
O terapeuta pergunta mais vezes como a pessoa está, porque nem sempre quem é mais idoso diz logo que algo incomoda.
Levantar-se acontece em três fases: sentar primeiro, esperar, pôr os pés no chão, esperar outra vez, e só depois levantar com apoio. Isto evita tonturas e quedas.
Portugal envelhece, e o que isso significa na prática
Os números falam por si. Em muitas zonas do interior do país, há mais de 700 idosos por cada 100 jovens. Mais de metade das casas com uma só pessoa a viver lá são de pessoas idosas. Por trás de cada número destes está uma casa real, onde os filhos foram trabalhar para outra cidade ou para fora do país, e o marido ou a mulher talvez já não esteja vivo.
Para uma família com pais ou avós nesta situação, uma massagem regular não é só cuidado com o corpo. É uma das poucas ocasiões certas de contacto humano verdadeiro que essa pessoa continua a ter.
Se é alguém da família a ler este artigo
Muitas vezes quem marca a massagem para um familiar idoso não é a própria pessoa, são os filhos ou quem cuida dela. Se é o seu caso: os riscos são reais mas fáceis de gerir, desde que o terapeuta saiba de antemão todas as doenças e medicamentos. Depois da primeira sessão, é normal a pessoa ficar sonolenta, é normal sentir a pele mais sensível do que esperava, e adormecer durante a massagem é um óptimo sinal.
Quando ter mais cuidado
Algumas situações são mais comuns em pessoas idosas e pedem atenção redobrada: tomar medicamentos para o sangue, osteoporose severa, demência (não impede a massagem, mas muda a forma de comunicar durante a sessão), pele muito frágil com nódoas negras espontâneas, ou prótese colocada há pouco tempo. Ver mais detalhe no artigo sobre contra-indicações da massagem de relaxamento.
Massagem para idosos, no Fisalis, em Leiria
A sessão para idosos no Fisalis começa com uma conversa mais longa do que o habitual, porque há mais para saber. O protocolo adapta-se completamente ao que essa conversa mostra. Para quem marca para um familiar: partilhe o máximo de informação de saúde antes de vir, é isso que permite ao Dmytro fazer a sessão certa, não a sessão standard.
Sessão a partir de ver preços. Escreva pelo WhatsApp com a situação de saúde do familiar antes de marcar.
Leia também: guia completo de massagem de relaxamento
Perguntas frequentes
A massagem de relaxamento é segura para idosos?
Sim, com pressão mais suave, posição adaptada, e sessões mais curtas ao início. A pele mais fina e a tendência para tonturas ao levantar pedem um protocolo diferente, mas não impedem a massagem. Contar ao terapeuta todas as condições de saúde antes de começar é o que permite fazer isso bem.
Quais são os benefícios da massagem para pessoas idosas?
Melhor sono, menos dor de artrose e tensão muscular, melhor circulação nas pernas, menos ansiedade e tristeza, e melhor equilíbrio, que reduz o risco de quedas. Além disso, o contacto físico regular compensa a falta de toque que muitas pessoas idosas sentem, algo com efeitos reais na saúde.
Posso marcar massagem para o meu pai ou mãe se ele ou ela tomar muitos medicamentos?
Depende dos medicamentos. Medicamentos para o sangue, muito comuns nesta idade, pedem pressão mais suave. Corticosteróides pedem ainda mais cuidado com a pele. Medicamentos para a tensão pedem verificar a pressão arterial depois da sessão. O importante é partilhar a lista completa de medicamentos com o terapeuta, isso ajuda a adaptar, não impede a massagem.
Posso marcar massagem para alguém com demência?
Sim, com ajustes na forma de comunicar durante a sessão. Em fases mais leves, a sessão é quase normal. Em fases mais avançadas, funciona melhor com sessões mais curtas, movimentos lentos e previsíveis, e uma voz calma do início ao fim. Há evidência de que a massagem ajuda a reduzir a agitação e a ansiedade nestes casos.
Com que frequência deve uma pessoa idosa fazer massagem?
Uma vez por mês já traz benefício acumulado. De quinze em quinze dias é o ideal para a maioria das queixas, sono, dor, ansiedade. Semanal nas primeiras semanas, se houver uma queixa específica activa. A regularidade importa ainda mais nas pessoas idosas, porque o corpo demora mais a manter o efeito de cada sessão.
Fontes
- PORDATA / INE. Índice de envelhecimento e outros indicadores de envelhecimento, 2024.
- Holt-Lunstad J, et al. Loneliness and social isolation as risk factors for mortality. Perspectives on Psychological Science, 2015.
- Field T, et al. Cortisol decreases and serotonin and dopamine increase following massage therapy. International Journal of Neuroscience, 2005.
- Perlman AI, et al. Massage therapy for osteoarthritis of the knee: a dose-finding trial. PLoS ONE, 2012.
- Sharpe PA, et al. A randomised study of the effects of massage therapy compared to guided relaxation on well-being and stress perception among older adults. Complementary Therapies in Clinical Practice, 2007.
Este artigo tem carácter informativo. Idosos com doenças complexas, muitos medicamentos, ou mobilidade muito reduzida devem falar com o terapeuta antes de começar o protocolo.
