Antes de leres a lista completa, três perguntas rápidas dizem-te em que zona estás. Não substituem avaliação médica quando é preciso, mas poupam-te tempo a percorrer categorias que não se aplicam a ti.
1. Tens febre agora, uma ferida aberta na zona a massajar, suspeitas de trombose (perna inchada, quente, dolorosa de um lado só), ou tiveste um problema cardíaco agudo nas últimas seis semanas?
Se sim a qualquer uma: 🔴 Não marques ainda. Estas são as situações onde a massagem espera, sem excepção, até resolução ou autorização médica.
2. Tens uma condição controlada, como hipertensão medicada, diabetes, varizes, gravidez, ou tomas anticoagulantes?
Se sim: 🟡 Podes marcar, com uma conversa antes. A sessão acontece, adaptada. A secção de contra-indicações relativas abaixo explica exactamente o que muda.
3. Nenhuma das situações acima se aplica?
🟢 Podes marcar sem restrições especiais. A conversa inicial habitual antes de qualquer sessão continua a ser o momento certo para mencionar qualquer coisa que não tenhas a certeza se é relevante.
O resto deste artigo detalha cada categoria, explica a razão fisiológica por trás de cada regra (perceber o porquê ajuda a decidir em situações que não estão listadas), e cobre o que fazer se algo parecer errado já durante uma sessão.
Este artigo é também uma resposta a uma das perguntas que mais chegam antes de marcar: “tenho X, posso fazer massagem?” Para a maioria das condições frequentes, a resposta é aqui.
Contra-indicações absolutas, quando a massagem não deve acontecer
Estas são as situações em que a massagem de qualquer tipo não deve ser realizada, independentemente de adaptações de técnica ou de pressão. A razão para cada uma está explicada porque perceber o porquê é o que permite tomar decisões informadas em situações não listadas.
Febre activa e infecção sistémica aguda. A massagem aumenta a circulação sanguínea e linfática de forma generalizada. Em presença de infecção sistémica activa (gripe, COVID activo, infecção bacteriana com febre), este aumento de circulação pode facilitar a dispersão dos agentes infecciosos para zonas não afectadas. Adicionalmente, o sistema imunitário em resposta activa a uma infecção está sob carga máxima, adicionar o estímulo fisiológico da massagem interfere com recursos que deveriam estar concentrados na resposta imunitária. Aguardar resolução completa da febre (pelo menos 48 horas sem febre sem antipirético) antes de retomar.
Trombose venosa profunda activa ou suspeita. A trombose venosa profunda (TVP) é a formação de coágulo numa veia profunda, mais frequentemente na perna. A manipulação mecânica da zona afectada pode deslocar o trombo, que pode então migrar para os pulmões e causar embolia pulmonar, uma emergência com risco de vida. Os sinais de TVP incluem dor, calor, rubor e edema unilateral numa perna, frequentemente após viagem longa, cirurgia recente, ou imobilização prolongada. Qualquer suspeita de TVP é contra-indicação absoluta e emergência médica, não massagem.
Neoplasia maligna activa na zona a massajar. A massagem sobre tecido com tumor maligno activo pode, teoricamente, aumentar a drenagem linfática local de forma que facilita a disseminação de células tumorais. A evidência directa é limitada, mas o princípio de precaução é aplicado universalmente. Pessoas com neoplasia em tratamento podem receber massagem em zonas distantes da área afectada, com indicação oncológica específica, mas nunca sobre ou próximo do tumor activo. Oncologia e massagem são compatíveis com protocolo adequado; sem protocolo, não.
Pele com ferida aberta, infecção cutânea activa ou queimadura recente na zona a tratar. Massagem sobre pele comprometida cria risco de infecção secundária (introdução de agentes patogénicos na ferida pelo toque ou pelo óleo), de agravamento da lesão existente, e de dor desnecessária. A contra-indicação é localizada à zona afectada, o resto do corpo pode ser massajado normalmente.
Fractura não consolidada ou luxação recente não reduzida. Manipulação de tecido sobre fractura não consolidada ou articulação luxada causa dor, agrava a lesão, e interfere com o processo de reparação óssea e articular. Em contexto de recuperação pós-fractura consolidada, a massagem dos tecidos circundantes pode ser parte do protocolo de reabilitação, com indicação do ortopedista.
Doença cardiovascular aguda não estabilizada. Enfarte agudo do miocárdio recente (menos de 6 semanas), angina instável, ou arritmia grave não controlada são contra-indicações absolutas. A massagem altera a frequência cardíaca e a pressão arterial de forma que em coração comprometido pode ser perigosa. Após estabilização e com indicação cardiológica, a massagem de relaxamento pode ser retomada com adaptações.
Perturbação psiquiátrica aguda com agitação ou risco de auto-lesão. Em estado de agitação psicomotora ou em contexto de crise psiquiátrica aguda, o toque físico pode ser percepcionado como ameaça e desencadear reacção de defesa. Não é contexto para massagem.
Contra-indicações relativas, quando adaptar
Nestas situações, a massagem é possível mas requer adaptação de técnica, pressão, posicionamento, ou zona trabalhada. A comunicação ao terapeuta antes de começar é obrigatória para que a sessão seja ajustada correctamente.
Gravidez. Primeiro trimestre: não recomendado sem indicação obstétrica específica, especialmente nos primeiros 12 semanas quando o risco de aborto espontâneo é maior e quando a estimulação de certos pontos reflexológicos é contraindicada. Segundo e terceiro trimestres: possível com adaptações, sem decúbito ventral (a pessoa fica em posição lateral ou semi-reclinada), sem pressão sobre abdómen e zona lombar inferior, sem os pontos reflexológicos contra-indicados em gravidez (tornozelo medial, ponto entre o polegar e o indicador na mão). Mais detalhe no artigo sobre massagem e drenagem na gravidez.
Hipertensão arterial. Hipertensão controlada com medicação: a massagem de relaxamento tem efeito hipotensor que pode ser benéfico. Comunicar ao terapeuta, que evita pressão excessiva e monitora o estado geral. Hipertensão não controlada (pressão sistólica acima de 180 mmHg ou diastólica acima de 110 mmHg): aguardar estabilização antes de massagem.
Varizes. Varizes sem complicações: possível, com o terapeuta a trabalhar em redor das varicosidades e não directamente sobre elas. Varizes complicadas (varicoflebite, úlcera varicosa, tromboflebite superficial): contra-indicação local, não trabalhar as pernas afectadas. A drenagem linfática suave pode ser adequada, mas com avaliação médica prévia.
Diabetes com neuropatia periférica. A neuropatia reduz a sensibilidade térmica e táctil nas extremidades, o que significa que a pessoa não consegue reportar quando a pressão ou a temperatura das pedras está excessiva. Risco de queimadura ou de microtrauma sem percepção. Massagem possível com pressão mais baixa do que o habitual e sem pedras quentes nas zonas com neuropatia. O terapeuta deve verificar regularmente a resposta ao toque durante a sessão.
Osteoporose severa. Em casos de osteoporose severa com risco de fractura por fragilidade, pressão intensa sobre a coluna ou costelas pode causar microfractura. Massagem possível com pressão muito baixa e evitando técnicas de tapotement e petrisagem intensa sobre zonas de maior fragilidade. Comunicar o diagnóstico e o grau de osteoporose ao terapeuta.
Doenças de pele activas na zona a tratar. Psoríase em placa activa, eczema em fase aguda, dermatite de contacto activa: não trabalhar sobre as lesões activas. Podem existir zonas sem lesão que sejam massajadas normalmente. Rosacea: evitar pressão facial intensa. Psoríase em remissão: sem contra-indicação.
Medicação anticoagulante. Varfarina, dabigatrano, rivaroxabano e outros anticoagulantes reduzem a capacidade de coagulação, o que aumenta o risco de hematoma após pressão sobre capilares frágeis. Possível com pressão mais baixa do que o habitual. Comunicar ao terapeuta, que ajusta a intensidade da petrisagem. Monitorizar o aparecimento de hematomas após a sessão.
Implantes, próteses, e dispositivos médicos na zona a tratar. Prótese da anca ou do joelho: massagem possível nos tecidos circundantes com adaptação de posicionamento. Marca-passo cardíaco: contra-indicação para técnicas que usem corrente eléctrica (ionoforese, TENS), mas não para massagem manual, comunicar ao terapeuta por precaução. Porto de quimioterapia ou CVC: evitar pressão directa sobre o dispositivo.
Pós-operatório recente. As primeiras semanas após cirurgia: aguardar cicatrização completa da ferida operatória antes de massagem sobre a zona. Para o resto do corpo: possível mais cedo, dependendo do tipo de cirurgia e do estado geral. Sempre com indicação do cirurgião ou do médico assistente.
Sinais a que prestar atenção já durante a sessão
As contra-indicações cobertas até aqui são avaliadas antes de começar. Mas há sinais que só aparecem depois de a sessão já estar em curso, e que merecem atenção imediata, independentemente de teres passado pela avaliação inicial sem problema identificado.
Dor no peito, falta de ar súbita, ou palpitações que não estavam presentes antes de começar. Raro, mas se acontecer, a sessão pára de imediato. Não é normal, mesmo em pessoas sem diagnóstico cardíaco conhecido.
Tontura intensa ao mudar de posição durante a sessão, não a leve tontura passageira ao levantar no final, que já está descrita no artigo sobre o que é normal sentir, mas tontura que aparece a meio, sem mudança de posição, ou que não passa em segundos.
Dor aguda e localizada que aumenta em vez de ceder, especialmente numa perna, que pode ser sinal de algo que a avaliação inicial não detectou, como uma trombose que ainda não tinha sintomas visíveis antes de começar.
Formigueiro ou perda de força súbita num membro. Diferente do formigueiro suave e difuso que é normal, este é localizado, progressivo, e não desaparece com o reposicionamento.
Em qualquer um destes casos, o terapeuta pára a sessão, e a decisão seguinte, continuar mais tarde, contactar um médico, ou procurar urgência, depende da gravidade do sinal. Comunicar imediatamente, sem esperar “para ver se passa”, é sempre a escolha certa.
Por zona, o que o terapeuta adapta em cada situação
| Condição | Zona afectada | O que se adapta | O resto do corpo |
|---|---|---|---|
| Varizes nas pernas | Pernas | Trabalha em redor, não sobre. Sem petrisagem profunda nas veias varicosas | Normal |
| Ferida aberta no ombro | Ombro afectado | Evitar completamente até cicatrização | Normal, incluindo outro ombro |
| Neuropatia periférica nos pés | Pés e tornozelos | Pressão muito baixa, sem pedras quentes. Verificação regular de resposta ao toque | Normal |
| Gravidez 2.º trimestre | Abdómen, lombar inferior | Evitar completamente estas zonas. Posição lateral ou semi-reclinada | Possível com adaptações |
| Psoríase activa no cotovelo | Cotovelo afectado | Evitar zona com lesão activa | Normal |
| Porto de quimioterapia no peito | Zona do porto | Sem pressão directa sobre o dispositivo | Normal |
| Osteoporose severa | Coluna, costelas | Pressão muito baixa. Sem tapotement. Sem petrisagem intensa | Pressão moderada |
| Anticoagulação | Todo o corpo | Pressão mais baixa do que o habitual em todo o corpo | Possível com pressão reduzida |
O que dizeres ao terapeuta antes de começar, a lista
A conversa antes de começar não é burocracia. É o que permite ao terapeuta adaptar a sessão de forma que seja segura e eficaz para a tua situação específica. A maioria das contra-indicações relativas resolve com uma adaptação simples, mas o terapeuta precisa de saber para a fazer.
Comunica sempre, antes de qualquer sessão:
- Qualquer diagnóstico médico activo, especialmente cardiovascular, oncológico, neurológico, ou ortopédico
- Medicação anticoagulante, corticosteróides em dose alta, ou imunossupressores
- Gravidez, independentemente do trimestre
- Cirurgia recente, independentemente da zona
- Dispositivos médicos implantados, marca-passo, porto venoso, prótese articular
- Zona com ferida, infecção cutânea, ou condição de pele activa
- Formigueiro, dormência, ou fraqueza nos membros, pode indicar compressão nervosa que altera a abordagem
- Dor que irradia para fora da zona de queixa, mesmo que pareça não relevante
- Qualquer coisa que o teu médico tenha dito sobre restrições físicas, mesmo que não pareça relacionada com massagem
Não precisas de justificar nem de explicar em detalhe. “Estou a tomar anticoagulantes” ou “tive cirurgia há três semanas” é informação suficiente para o terapeuta adaptar. Se não sabes se algo é relevante, diz na mesma. O terapeuta avalia.
Perguntas frequentes sobre condições específicas
Posso fazer massagem com hérnia discal? Em fase estável sem sintomas radiculares activos (sem formigueiro, sem dormência nos membros, sem dor irradiante): sim, com adaptações de posicionamento e de técnica, a massagem trabalha os tecidos circundantes, não sobre a hérnia directamente. Em fase aguda com compressão nervosa activa: avaliação médica primeiro.
Posso fazer massagem com fibromialgia? Sim, com adaptação significativa de pressão. Pessoas com fibromialgia têm sensibilização central que amplifica a percepção de dor, pressão que seria confortável para a maioria pode ser intensa ou dolorosa. Sessões com pressão muito baixa e progressão muito gradual ao longo de sessões são o protocolo adequado. Comunicar o diagnóstico antes de começar é fundamental.
Posso fazer massagem durante a quimioterapia? Depende da fase e do protocolo oncológico. Durante infusão activa e nas 24 a 48 horas seguintes: não recomendado. Nos dias entre tratamentos, com indicação da equipa oncológica: possível com pressão baixa e evitando zonas de acesso venoso e de irradiação. A massagem oncológica é uma especialidade específica que não é equivalente à massagem de relaxamento standard.
Posso fazer massagem se tiver pressão alta mas controlada? Sim. A massagem de relaxamento tem efeito hipotensor que pode ser complementar ao tratamento. Comunicar ao terapeuta, que usa pressão moderada e monitoriza o estado durante a sessão.
Posso fazer massagem após COVID? COVID activo: não. Fase de recuperação pós-COVID sem febre activa: sim, com sessões mais curtas (30 a 40 minutos em vez de 60 a 90) e com monitorização de fadiga pós-esforço nas 24 horas seguintes. Síndrome pós-COVID com fadiga marcada: protocolo específico com pressão suave e sessões progressivamente mais longas conforme tolerância.
Tens dúvidas sobre a tua situação, no Fisalis, em Leiria
Se tens uma condição de saúde específica e não tens a certeza se podes fazer massagem, escreve pelo WhatsApp antes de marcar. Descreve a tua situação em duas ou três frases e o Dmytro responde directamente, se é seguro, se precisa de adaptações, ou se a avaliação médica deve acontecer primeiro. A sessão que vem depois desta conversa é sempre mais segura e mais eficaz do que a sessão sem ela.
Sessão a partir de ver preços.
Lê também: massagem e drenagem na gravidez · o que é normal sentir durante a massagem · relaxamento vs terapêutica
Perguntas frequentes
Quais são as contra-indicações absolutas da massagem de relaxamento?
Febre activa e infecção sistémica aguda, trombose venosa profunda activa ou suspeita, neoplasia maligna activa na zona a massajar, pele com ferida aberta ou infecção cutânea activa na zona, fractura não consolidada, doença cardiovascular aguda não estabilizada (enfarte recente, angina instável), e perturbação psiquiátrica aguda com agitação. Nestas situações a massagem não deve acontecer independentemente de adaptações.
Posso fazer massagem com varizes?
Com varizes sem complicações: sim, com o terapeuta a trabalhar em redor das varicosidades e não directamente sobre elas. Com varicoflebite activa, úlcera varicosa, ou tromboflebite superficial: contra-indicação local para as pernas afectadas. Comunicar sempre ao terapeuta a presença e a extensão das varizes antes de começar.
Posso fazer massagem se tomar anticoagulantes?
Sim, com pressão mais baixa do que o habitual em todo o corpo. Os anticoagulantes reduzem a capacidade de coagulação, aumentando o risco de hematoma por pressão excessiva sobre capilares frágeis. Comunicar ao terapeuta o nome do anticoagulante e a dose. Verificar o aparecimento de hematomas nas 24 horas seguintes e comunicar ao terapeuta se ocorrerem.
Posso fazer massagem com fibromialgia?
Sim, com adaptação significativa. Fibromialgia implica sensibilização central que amplifica a percepção de dor, pressão normal pode ser excessiva. O protocolo usa pressão muito baixa, progressão gradual ao longo de sessões, e monitorização constante da resposta ao toque. Comunicar o diagnóstico antes de começar é fundamental para a adaptação correcta.
O que devo dizer ao terapeuta antes de começar a sessão?
Qualquer diagnóstico médico activo, medicação anticoagulante ou imunossupressora, gravidez, cirurgia recente, dispositivos médicos implantados (marca-passo, porto venoso, prótese), feridas ou condições de pele activas, formigueiro ou dormência nos membros, e qualquer restrição física que o médico tenha mencionado. Não precisas de justificar em detalhe, a informação básica é suficiente para o terapeuta adaptar.
Fontes
- Ernst E. The safety of massage therapy. Rheumatology, 2003. Revisão sistemática das contra-indicações e eventos adversos da massagem.
- Cambron JA, et al. Side-effects of massage therapy: a cross-sectional study of 100 clients. Journal of Alternative and Complementary Medicine, 2007. 10% dos clientes com desconforto ligeiro; hematoma (1,1%) e cefaleia (1,1%) como efeitos negativos mais reportados.
- Curties D. Massage Therapy and Cancer. Curties-Overzet Publications, 1999. Massagem em contexto oncológico, indicações e contra-indicações.
- Physiopedia. Massage, contraindications and precautions.
Este artigo tem carácter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvida sobre a adequação da massagem à tua condição específica de saúde, consulta o teu médico antes de marcar.
