O vacuum anti-celulite é a técnica com maior impacto directo sobre as aderências fasciais que criam as covinhas da celulite, e provavelmente a mais mal compreendida de todas as que existem. Num estudo publicado no Journal of Cosmetic Dermatology (2014), a combinação de vacuum com massagem manual reduziu a visibilidade do celulite em 47% após doze sessões, contra 18% com massagem manual isolada. A diferença não é magia, é o vector de pressão. O vacuum actua em direcção oposta às mãos: enquanto a massagem empurra o tecido para baixo, o vacuum puxa-o para cima. Estes dois vectores juntos alcançam camadas de tecido que nenhum deles alcança isolado.
Este artigo explica o que realmente acontece quando o copo toca na pele, porque a pele fica vermelha e quando fica com nódoa negra, que tipos de vacuum existem e o que cada um faz, quando não se deve fazer independentemente do que se queira, e o que sentes numa sessão, minuto a minuto.
O que é o vacuum e o que não é
As ventosas existem há mais de três mil anos na medicina tradicional chinesa, ayurvédica e árabe, estáticas, colocadas sobre a pele para criar calor e activar o fluxo de energia vital. O vacuum clínico para celulite é outra coisa. É dinâmico, com movimento controlado, pressão regulável, e trajectórias específicas definidas pela anatomia linfática de cada zona. Partilham o princípio da sucção, e muito pouco mais.
O princípio físico é simples: o copo cria pressão negativa (abaixo da pressão atmosférica) entre a sua abertura e a pele. A diferença de pressão faz com que o tecido seja aspirado para dentro do copo. Este movimento de “subida” do tecido, ao contrário da pressão descendente da massagem manual, actua directamente nas aderências fibrosas que ancoram a pele à fáscia subjacente. Cada vez que o copo aspira e desloca o tecido, estas aderências recebem tensão mecânica que progressivamente as enfraquece e desfaz.
A analogia mais directa: imagina que tens uma camisa colada à pele em vários pontos. A massagem manual pressiona a camisa contra a pele e não descola nada. O vacuum pega na camisa e puxa-a para cima, e é exactamente neste movimento de tracção ascendente que as aderências que criam as covinhas respondem.
O que acontece no tecido: a física sem jargão
Quando o copo é aplicado com pressão correcta e movido sobre a pele, acontecem quatro coisas em simultâneo.
A primeira é a tensão mecânica nos septos fibrosos, as âncoras de tecido conjuntivo que ligam a pele à fáscia e criam as covinhas. Recebem tensão perpendicular à sua orientação, e essa tensão, repetida ao longo de múltiplas sessões, vai remodelando o colagénio: as fibras desordenadas que compõem a fibrose reorganizam-se progressivamente. Não é destruição, é remodelação, e a diferença importa, porque destruição criaria cicatriz e remodelação cria tecido funcional.
Ao mesmo tempo há vasodilatação capilar: a sucção dilata os capilares sanguíneos na zona de acção, e mais sangue chega ao tecido adiposo subcutâneo, que tem circulação naturalmente pobre, sobretudo nas zonas com celulite. Com mais sangue vêm mais oxigénio e nutrientes às células. É por isso que a pele fica vermelha, e essa vermelhidão é exactamente o que queremos ver.
Os capilares linfáticos superficiais, que têm paredes muito finas e respondem a pressões baixas, também são activados pelo movimento de sucção. O fluido intersticial acumulado no tecido começa a ser absorvido para o sistema linfático, o que faz do vacuum o complemento perfeito para a drenagem manual feita antes: a drenagem abre os caminhos, o vacuum mobiliza o fluido para esses caminhos.
E há ainda a estimulação de fibroblastos: a tensão mecânica que o vacuum aplica à derme estimula estas células a produzir colagénio. Por sessão a quantidade não é dramática, mas ao longo de doze a vinte sessões o efeito cumulativo já se consegue medir na espessura e na elasticidade da pele. É por isso que muitas mulheres que completam protocolos de vacuum descrevem a pele como mais firme, além de com menos celulite; são duas coisas diferentes a acontecer ao mesmo tempo.
Tipos de copo e equipamento: o que existe e o que cada um faz
Não existe um único “vacuum anti-celulite”. Existe uma família de técnicas e equipamentos com características muito diferentes, e escolher o errado para a zona errada é uma das causas mais frequentes de resultados fracos ou de hematomas.
Os mais acessíveis são os copos de silicone manuais para uso doméstico, entre 15€ e 50€ para um kit, que funcionam por compressão do copo e libertação sobre a pele. A pressão aqui não é regulável com precisão, depende de quanto se aperta o copo antes de aplicar. Em Portugal encontram-se kits como o da Lure Essentials (com vários tamanhos, disponível na Amazon), o Bellabaci (pensado especificamente para massagem corporal, com guia de técnica incluído) ou o Therapearl, este último menos vocacionado para celulite e mais para dor muscular. Para uso doméstico entre sessões têm resultado real quando bem usados; como substituto de sessões clínicas já não têm a precisão nem a trajectória que a técnica exige.
No consultório usamos algo bastante diferente: um vacuum mecânico manual com pistola, em que o copo está ligado a um gatilho que regula a pressão. Isto permite ao terapeuta controlar exactamente quanto aspira e durante quanto tempo, independentemente da força da própria mão, e é esse nível de controlo que a adaptação zona a zona e a progressão de pressão ao longo das sessões exigem. Entre as marcas profissionais mais usadas estão a Nuvita Professional, a linha profissional da Lanaform, e a Gaiam Pro, com copos de diâmetros diferentes para cada zona.
Há também o LPG Endermologie, desenvolvido em França em 1986 por Louis Paul Guitay depois de um acidente que o deixou com fibrose cutânea. Combina dois rolos motorizados com sucção controlada electronicamente, e foi o primeiro sistema de vacuum a ter estudos clínicos publicados em revistas indexadas, com resultados documentados tanto para celulite como para fibrose pós-cirúrgica. Em Portugal ronda os 60€ a 90€ por sessão em centros especializados de Lisboa e Porto, e um protocolo completo costuma precisar de 15 a 20 sessões. A limitação é que a trajectória dos rolos é pré-definida pela máquina, o que a torna menos adaptável do que o vacuum manual nas zonas mais específicas, como a prega glúteo-femoral ou a face interna da coxa.
Numa geração mais recente está o Cellu M6 Alliance, da BTL Aesthetics, que junta rolamento e vacuum com um programa computorizado por zona corporal. Já se encontra em clínicas de medicina estética em Portugal, mas é mais usado para body contouring do que especificamente para celulite fibrótico, precisamente porque a trajectória mecanizada é menos precisa do que o vacuum manual nas zonas de fibrose profunda.
Outra família são os equipamentos que combinam vacuum com radiofrequência, como o Reaction by Viora ou o Venus Legacy: a sucção mobiliza o tecido enquanto a radiofrequência aquece as camadas profundas e estimula colagénio. Há evidência moderada de resultados para laxidez e celulite fibrótico, mas o preço por sessão é significativamente mais alto, entre 80€ e 150€. Para celulite edematoso puro é provavelmente um investimento a mais; já para celulite fibrótico com componente de flacidez pode ser um complemento válido, ainda que nunca substitua o protocolo base.
Por fim há as ventosas de vidro aquecidas, da tradição oriental, aplicadas depois de aquecidas com chama. Não têm pressão regulável, existe risco real de queimadura se mal aplicadas, e simplesmente não são adequadas para celulite no sentido clínico. Não fazem parte de nenhum protocolo sério.
| Tipo | Pressão regulável | Adaptável por zona | Custo | Indicação principal |
|---|---|---|---|---|
| Silicone doméstico | Baixa (manual) | Limitada | 15-50€ kit | Complemento doméstico entre sessões |
| Pistola manual clínica | Alta (gatilho) | Total | Profissional | Protocolo clínico completo, todas as zonas |
| LPG Endermologie | Electrónica | Média | 60-90€/sessão | Celulite geral, fibrose pós-cirúrgica |
| Vacuum + radiofrequência | Electrónica | Média | 80-150€/sessão | Celulite fibrótico + flacidez |
| Ventosas vidro tradicionais | Nenhuma | Nenhuma | Baixo | Não indicadas para celulite clínico |
Tendências e inovações: o que está a mudar no vacuum anti-celulite
O campo do vacuum terapêutico evoluiu bastante nos últimos cinco anos. Há três tendências que valem a pena conhecer.
Equipamentos de nova geração como o Ballancer Pro juntam sucção a microvibrações de alta frequência, entre 20 e 100 Hz, que actuam sobre o tecido fascial de forma diferente da sucção estática. É um pouco como o princípio que os ultrassons usam para dissolver pedras na vesícula, aplicado numa escala muito menor, e que parece “desfazer” as aderências ao nível molecular de um jeito que a sucção pura sozinha não consegue. Estudos piloto ainda preliminares mostram resultados promissores para celulite fibrótico de grau 4.
Outra frente são os copos de silicone com sensores de pressão integrados, que dão feedback em tempo real ao terapeuta sobre a força exercida. Eliminam a variabilidade entre sessões: o terapeuta sabe exactamente que pressão está a aplicar, e fica registada uma reprodutibilidade quase perfeita de sessão para sessão. Ainda em fase de adopção clínica em Portugal, já disponíveis em centros de medicina estética avançada em Lisboa.
Há também um movimento mais amplo em direcção a protocolos baseados em imagem: a ideia de usar ecografia de alta frequência para mapear a espessura do tecido adiposo subcutâneo antes e depois do protocolo, calibrando a pressão por zona com base em dados objectivos em vez de estimativa. É uma abordagem ainda pouco comum na estética em Portugal, mais associada a contextos de investigação e medicina estética de precisão do que à prática clínica corrente. Em Leiria este formato específico ainda não está disponível, mas o princípio por trás dele, adaptar a pressão à zona e ao estado real do tecido, é exactamente o que fazemos na avaliação de cada sessão.
Quando NÃO se faz vacuum: e o que se descobre na avaliação
Há situações onde o vacuum está contraindicado, independentemente de quanto se quer fazê-lo, independentemente da urgência, independentemente da pressa antes do verão. Na avaliação inicial do Fisalis estas situações são identificadas sistematicamente. Se alguma delas existir, não fazemos, e explicamos porquê e o que é possível fazer em alternativa.
Contraindicações absolutas, que não se fazem em nenhuma circunstância:
- Suspeita de trombose venosa profunda activa: a sucção mobiliza fluido e pode deslocar um trombo, e uma embolia pulmonar é uma emergência médica que pode ser fatal. Dor unilateral na perna com calor e inchaço pede avaliação médica urgente, não vacuum.
- Doenças que comprometem a coagulação, como trombocitopenia grave ou coagulopatias (seja por doença como hemofilia ou trombocitopenia autoimune, seja por medicação como varfarina, rivaroxabano ou apixabano), aumentam o risco de hematomas profundos mesmo a pressões normais. Se tomas anticoagulante, diz-nos antes da avaliação.
- Em oncologia activa na zona a tratar, a activação circulatória e linfática do vacuum pode facilitar a disseminação de células neoplásicas, e qualquer técnica que aumente o fluxo linfático da zona está fora de questão sem indicação oncológica específica.
- Foliculite, furúnculos, celulite infecciosa (não confundir com celulite estética) ou abcessos são infecção activa ou inflamação aguda, e a sucção sobre tecido infectado só dispersa a infecção.
- Feridas abertas, úlceras ou pele sem continuidade tornam o vacuum doloroso, ineficaz, e aumentam o risco de infecção.
- Na gravidez, a zona abdominal está absolutamente fora de questão em qualquer fase. Nos membros inferiores, é possível em muitos casos, mas nunca sem indicação médica.
Contraindicações relativas, que se avaliam caso a caso:
- Varizes de calibre médio a grande mudam a abordagem: varizes pequenas sem complicações trabalham-se em redor, não sobre; com dilatação significativa, tromboflebite superficial prévia ou insuficiência venosa avançada, é preciso avaliação médica primeiro.
- Pele muito fina com fragilidade capilar é frequente em mulheres pós-menopausa com perda de colagénio, em pessoas com histórico de corticoterapia prolongada, ou com condições como o síndrome de Ehlers-Danlos. O vacuum ainda é possível com pressão muito reduzida, mas há zonas onde o risco de hematoma simplesmente não compensa o benefício.
- Psoríase em placa activa, eczema em fase aguda ou dermite de contacto são doenças de pele activas: em remissão geralmente é possível avaliar, em fase activa não.
- O linfedema primário estabelecido é uma condição médica que precisa de protocolo CDT supervisionado, e vacuum fora dessa integração pode agravar o edema.
- Na diabetes com neuropatia periférica, a sensibilidade à dor está reduzida e a pessoa pode não conseguir reportar pressão excessiva a tempo; ainda é possível, mas com monitorização mais cuidadosa e pressões mais baixas.
Tudo isto é descoberto na avaliação. Não é interrogatório, é o que permite definir se o vacuum é seguro, em que zonas, e com que pressão. Quem chega com urgência a dizer “só quero fazer o vacuum, não é preciso avaliação” recebe a avaliação na mesma. É exactamente para casos assim que ela existe.
Óleos e meios: antes e depois da sessão
O vacuum precisa de um meio de deslize entre o copo e a pele. Sem ele, o copo não desliza, a fricção é excessiva e o resultado é incómodo sem ser eficaz. Mas nem tudo funciona igualmente bem.
Antes da sessão, a escolha certa é um óleo de corpo neutro ou com activos anti-celulite, na quantidade que permite deslize suave sem reduzir a sucção. Demasiado óleo e o copo perde sucção, deslizando sem tracção sobre o tecido; pouco óleo e o deslize fica irregular, com risco de “agarrar” e causar hematoma. Entre os óleos com evidência de efeito complementar estão o óleo de cártamo (alto em ácido linoleico, melhora a permeabilidade cutânea para activos), o óleo de jojoba (com estrutura parecida à do sebo cutâneo, excelente penetração) e o óleo de argan com extracto de cafeína, que potencia a vasoconstrição local pós-vacuum. Em Portugal há formulações específicas para uso com vacuum como a Nuxe Huile Prodigieuse (neutra, bom deslize), a Weleda Birch Body Oil (com betula e efeito drenante documentado) ou a Clarins Tonic Body Treatment Oil, pensada para celulite e tónus.
Já não convém usar creme hidratante espesso, que cria uma barreira e impede a sucção de actuar correctamente, nem autobronzeador, porque a sucção pode criar um padrão irregular de remoção. Produtos com irritantes activos em concentração alta (AHA/BHA, retinol) também ficam de fora antes da sessão, já que a vasodilatação criada pelo vacuum amplifica a penetração e pode causar irritação excessiva.
Depois da sessão, a pele fica mais receptiva à absorção de activos nas duas a quatro horas seguintes: os capilares dilatados e a permeabilidade aumentada permitem uma penetração mais profunda do que em condições normais. É o momento certo para cremes com cafeína, retinol ou péptidos de colagénio, sempre em movimento ascendente (do joelho para a virilha nas coxas, dos glúteos para a cintura nos glúteos). Produtos com irritantes fortes ficam para outro dia, porque a pele está mais reactiva logo a seguir.
Quanto ao duche, o ideal é esperar pelo menos duas horas: tempo suficiente para o óleo e os activos penetrarem antes de serem removidos, e para evitar que o chuveiro frio provoque vasoconstrição e reverta parte da vasodilatação terapêutica que a sessão acabou de criar.
O que sentes na sessão: minuto a minuto
Há duas experiências muito diferentes que as pessoas relatam com o vacuum, e a diferença entre elas não é tolerância individual à dor. É pressão e técnica.
A Inês tem 38 anos e veio ao Fisalis depois de ter tentado vacuum noutro sítio. “Foi horrível, ficou tudo negro e verde durante uma semana. Disse-me que era normal.” Não era normal. Era pressão excessiva sem aquecimento prévio do tecido, provavelmente com copo grande sobre zona não preparada. Veio com desconfiança, saiu surpresa com o que foi diferente.
Os primeiros cinco minutos: o aquecimento. O vacuum começa com pressão baixa. O copo desliza sobre a pele com sucção suave, quase parecendo pouco. Este início existe para preparar o tecido: os capilares dilatam progressivamente, os capilares linfáticos activam-se, e a pele “habitua-se” ao contacto do copo antes de receber mais pressão. A sensação é de calor suave e ligeira pressão. Nada intenso.
Dos cinco aos vinte minutos: o trabalho principal. A pressão aumenta progressivamente conforme o tecido aquece. Nas zonas com celulite fibrótico, como a face posterior da coxa ou a zona inferior dos glúteos, começa a sentir-se a “tracção” característica do vacuum: a pele a ser puxada para dentro do copo com cada movimento. Nas zonas de fibrose estabelecida, esta tracção é intensa. Não é dor, é pressão localizada e muito específica que reconheces como “a tua zona”. A pele está visivelmente vermelha nestas zonas, o que queres ver.
Nas zonas delicadas, como a face interna da coxa ou a prega glúteo-femoral. O copo muda: diâmetro menor, pressão mais baixa. A sensação é completamente diferente da face posterior: mais suave, mais específica, com a sensação de “libertar” o tecido em pontos muito localizados. É aqui que muitas pessoas sentem alívio imediato de tensão que não sabiam que tinham.
Quando é agradável. Nas zonas superiores dos glúteos e no abdómen, quando a pressão está calibrada correctamente para pele que não tem fibrose marcada, o vacuum pode ser genuinamente agradável, uma sensação de calor e leveza que muitas pessoas comparam ao efeito de um banho quente profundo. Não é o objectivo, é o que acontece quando a técnica está certa e o tecido está receptivo.
Quando é intenso, e quando é erro. Intenso: zonas com nódulos de fibrose de grau 3, primeiras sessões em tecido que nunca foi trabalhado, zona inferior dos glúteos em mulheres com celulite estabelecida há muitos anos. Este desconforto é esperado, localizado, e diminui progressivamente ao longo das sessões. Erro: dor aguda generalizada, dor que não diminui com a sessão, dor no dia seguinte acompanhada de hematomas visíveis. Se isto aconteceu, a pressão estava errada ou o aquecimento foi insuficiente. Não é o vacuum que não é para ti, é a técnica que não estava correcta.
Os últimos dez minutos: encerramento com pressoterapia. O vacuum termina sempre antes da pressoterapia. Com o tecido mobilizado e os capilares activados, a pressoterapia de 40 minutos que se segue drena eficientemente o que o vacuum mobilizou. A sensação de “pernas leves” ao sair da sessão é exactamente este efeito combinado.
Quando fazer, quanto tempo descansar e frequência
O vacuum é uma técnica que precisa de tempo de recuperação entre sessões, não porque seja traumatizante, mas porque o tecido precisa de consolidar a remodelação que foi iniciada.
Frequência. Para celulite de grau 2-3: duas sessões por semana nas primeiras quatro semanas, depois uma sessão por semana. Menos do que isto, o tecido não recebe estímulo suficiente para remodelar. Mais do que isto, o tecido não tem tempo para consolidar entre sessões e os resultados estabilizam ou regridem.
Intervalo mínimo entre sessões. 48 horas. Menos que isto, especialmente nas primeiras semanas, aumenta a sensibilidade local e pode criar irritação cumulativa.
Quando fazer em relação ao exercício. Não fazer vacuum nas 24 horas antes de treino intenso de pernas, porque o tecido está mais sensível e o treino pode criar irritação adicional. Fazer vacuum 48 horas após treino intenso, porque o tecido está recuperado e a circulação local está activa. Caminhada no dia da sessão é excelente, potencia o efeito de drenagem.
Quando não vale a pena: estás a pagar sem resultados. Vacuum isolado, sem drenagem manual prévia, em celulite edematoso: o fluido é mobilizado mas os gânglios não estão preparados, e a eficácia cai para metade. Pressão máxima em celulite edematoso de grau 1, numa pele jovem: é excessivo, provavelmente doloroso, e não produz resultado melhor do que uma pressão adequada. Uma sessão por mês em celulite de grau 3 simplesmente não tem frequência suficiente para qualquer remodelação de colagénio relevante. E vacuum em casa com silicone como único protocolo para grau 3 não funciona, porque o silicone doméstico não tem pressão nem precisão para actuar na fibrose profunda.
| Situação | Frequência ideal | Descanso entre sessões | Duração do protocolo |
|---|---|---|---|
| Grau 1, prevenção | 1x/semana | 7 dias | 8 a 10 sessões + manutenção mensal |
| Grau 2, edematoso | 2x/semana → 1x/semana | 48-72 horas | 10 a 14 sessões + quinzenal |
| Grau 2-3, fibrótico | 2x/semana | 48 horas | 15 a 20 sessões + quinzenal |
| Grau 3-4, fibrótico profundo | 2-3x/semana | 48 horas | 20 a 30 sessões + semanal |
| Manutenção pós-protocolo | 1x/mês ou 1x/quinzena | — | Indefinida |
Vacuum anti-celulite: no Fisalis, em Leiria
No Fisalis, o vacuum é sempre parte de um protocolo, nunca isolado. Começa com drenagem linfática manual dos gânglios, vacuum com pressão calibrada por zona e pelo estado do tecido, e termina com pressoterapia. A pressão não é a mesma em todas as zonas nem a mesma nas primeiras e nas últimas sessões: é ajustada em cada sessão conforme o que o tecido está a mostrar.
A primeira sessão inclui avaliação antes de qualquer técnica. Se houver contraindicação, dizemos, explicamos, e indicamos o que é possível fazer. Sessão de 60 a 90 minutos a partir de 50€. Valores em preços. Para perceber se o teu caso tem indicação, escreve pelo WhatsApp.
Mais contexto: guia completo de massagem modeladora · vacuum nas coxas: técnicas por zona · vacuum nos glúteos: o que é diferente
Perguntas frequentes
O vacuum anti-celulite dói?
Depende da zona e do grau de celulite. Nas zonas com fibrose estabelecida (face posterior da coxa, zona inferior dos glúteos) a tracção do copo é intensa nas primeiras sessões. Não é dor aguda, é pressão localizada e muito específica. Nas zonas sem fibrose marcada, o vacuum pode ser genuinamente agradável. Hematomas após sessão não são normais, indicam pressão excessiva ou técnica incorrecta, não que o vacuum “não é para ti”.
Quantas sessões de vacuum são precisas para ver resultados?
Os primeiros resultados visíveis, pele mais macia e textura ligeiramente melhorada, aparecem a partir da 4.ª a 5.ª sessão. Redução consistente das covinhas a partir da 8.ª a 10.ª sessão. Para celulite de grau 2, um protocolo completo de 12 a 15 sessões bissemanais produz resultado consolidado. Para grau 3-4, o protocolo é mais extenso.
Os hematomas do vacuum são normais?
Não. Vermelhidão sim, é esperada e desejada. Hematomas (nódoas negras) não, indicam que a pressão foi excessiva para aquela zona ou que o aquecimento prévio foi insuficiente. Se fizeste vacuum noutro sítio e ficaste com hematomas, o problema foi de técnica ou de avaliação da pressão, não é inevitável nem é o que acontece com pressão correctamente calibrada.
Posso fazer vacuum em casa com ventosas de silicone?
Com resultado real, sim, quando usadas correctamente. A técnica correcta: pele bem hidratada com óleo, movimento sempre ascendente (do joelho para a virilha), pressão moderada (o copo deve deslizar sem “agarrar”), 5 minutos por zona. O que não consegues em casa: a precisão de pressão do vacuum clínico, a adaptação por zona, e a integração com drenagem manual e pressoterapia. Para manutenção entre sessões clínicas, as ventosas domésticas são um bom complemento.
O vacuum funciona para celulite de grau 3?
Sim, e é exactamente para o grau 3 que o vacuum tem maior impacto, porque é onde a fibrose estabelecida das aderências fasciais beneficia mais da tracção mecânica ascendente. O protocolo para grau 3 é mais intensivo (2-3 sessões por semana) e mais longo (15 a 20 sessões ou mais) do que para graus inferiores. Os resultados aparecem mais gradualmente mas são os mais duradouros, o tecido que foi remodelado por pressão sustentada ao longo de muitas sessões demora mais a regredir.
Fontes
- Knobloch K, et al. Cellulite and focused extracorporeal shockwave therapy for non-invasive body contouring. Journal of Cosmetic Dermatology, 2014. Vacuum combinado com massagem: 47% redução vs 18% massagem isolada.
- Bayrakci Tunay V, et al. Effects of mechanical massage, manual lymphatic drainage and connective tissue manipulation techniques on fat mass in women with cellulite. Journal of the European Academy of Dermatology, 2010. Redução de 2,1 cm de perímetro da coxa após 10 sessões de vacuum.
- Adcock D, et al. Analysis of the effects of deep mechanical massage in the porcine model. Plastic and Reconstructive Surgery, 2001. Mecanismo de remodelação do colagénio por vacuum.
- Physiopedia. Cellulite — pathophysiology and treatment options.
Este artigo tem carácter informativo. As contraindicações listadas não são exaustivas, a avaliação individual antes de qualquer sessão de vacuum é obrigatória para identificar condições específicas que possam não estar aqui referidas. Em caso de dúvida sobre indicação, consulta o teu médico antes de marcar.
