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Curiosidades

5 mitos sobre massagem terapêutica desmentidos por especialistas

· 3 min de leitura · fisalis.pt
5 mitos sobre massagem terapêutica desmentidos por especialistas

A massagem terapêutica é simultaneamente uma das práticas de saúde mais antigas e uma das mais rodeadas de ideias equivocadas. Décadas de representações distorcidas em media, conselhos de ginásio e experiências mal conduzidas criaram mitos que persistem — e que afastam pessoas de uma terapêutica que poderia ajudá-las genuinamente. É hora de confrontar cada um com a evidência.

Mito 1: “A massagem tem de doer para resultar”

Origem do mito: experiências com terapeutas que aplicam pressão excessiva acreditando que “mais é melhor”, e cultura de que a eficácia é proporcional ao desconforto.

A realidade: pressão intensa além do limiar de tolerância do cliente provoca o oposto do desejado:

  • O músculo contrai defensivamente — o reflexo de proteção impede o relaxamento
  • Aumenta a ativação simpática — o contrário do objetivo terapêutico
  • Pode causar microtraumatismos nos tecidos, agravando a inflamação

A pressão ideal é descrita como “dói bem” — 6–7/10 numa escala de dor, com capacidade de respirar calmamente. Acima disso, a eficácia diminui e o risco aumenta.

Mito 2: “Os efeitos são temporários — não vale a pena”

Origem do mito: experiências com uma ou duas sessões isoladas que “melhorou mas voltou” — sem perceber que uma sessão é equivalente a um comprimido, não a um tratamento.

A realidade: a duração dos efeitos depende diretamente do número de sessões e da consistência do protocolo:

N.º de sessõesDuração dos efeitos esperada
1 sessão isolada24h a 7 dias (alívio sintomático)
3–4 sessões seguidas2–4 semanas
6–10 sessões (protocolo)2–6 meses (com mudanças estruturais nos tecidos)
Protocolo + manutenção mensalEfeito contínuo enquanto mantido

Com um protocolo adequado, formam-se mudanças estruturais reais nos tecidos — redução de fibrose, melhoria da elasticidade fascial — que não desaparecem após uma semana.

Mito 3: “Massagem é só relaxamento — não trata condições reais”

A realidade: a Cochrane Collaboration — a organização de revisão de evidência científica mais rigorosa do mundo — documentou eficácia clínica da massagem terapêutica em:

  • Lombalgia crónica não específica (Furlan et al., 2015)
  • Cefaleia tensional crónica (Lenssinck et al., 2004)
  • Ansiedade e depressão moderada (Moyer et al., 2004)
  • Dor por cancro em contexto paliativo (Kutner et al., 2008)
  • Insónia crónica em adultos (Field et al., múltiplos estudos)

A distinção crítica é entre massagem terapêutica (protocolo clínico, avaliação prévia, terapeuta certificado) e massagem de spa (bem-estar, sem objetivo clínico). Ambas têm valor — mas não são equivalentes.

Mito 4: “Qualquer pessoa com um curso de fim de semana pode fazer”

A realidade: a massagem terapêutica é uma competência que requer formação sólida em:

  1. Anatomia e biomecânica musculoesquelética
  2. Fisiologia dos tecidos e resposta ao tratamento
  3. Patologia músculo-esquelética e contraindicações
  4. Centenas de horas de prática supervisionada

Uma massagem mal executada pode agravar uma hérnia, mobilizar uma fratura não diagnosticada, ou aplicar pressão sobre uma trombose. Os riscos existem — e a formação é o que os mitiga.

Na Fisalis, ambos os terapeutas têm formação de base em fisioterapia e terapia manual, com certificações específicas nas técnicas que praticam. A avaliação inicial existe precisamente para identificar contraindicações.

Mito 5: “Se parar de fazer massagem, vai ficar pior”

Origem do mito: experiências com profissionais que criam dependência desnecessária, sem plano terapêutico claro nem ponto de alta definido.

A realidade: uma massagem terapêutica bem conduzida tem sempre:

  • Objetivos específicos e mensuráveis definidos no início
  • Critérios de alta claros (quando os objetivos são atingidos)
  • Exercícios de manutenção para o cliente fazer autonomamente
  • Plano de manutenção preventiva (não terapêutica) após a alta

Se interromper antes do fim de um protocolo, a condição pode não estar totalmente resolvida — mas não fica pior do que antes. O corpo não desenvolve dependência de massagem. O que pode acontecer é que problemas não resolvidos persistam — o que é diferente de “piorar por parar”.

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